O Café Progresso, que vai a caminho do seu 113º aniversário, é um dos locais que mais gosto de frequentar na baixa do Porto. O café de saco é delicioso, o serviço é ótimo e o ambiente tranquilo. No meu entender, reúne todas condições para ler, sobretudo nas mesinhas junto às janelas, mas ainda não tinha tido a oportunidade de fotografar alguém que estivesse na companhia de um livro. Até que vi o António que, neste local que faz parte da história da Invicta, estava a ler a obra "História de Portugal", de Jean-François Labourdette. Perguntei-lhe se estava a gostar, respondeu que sim e realçou que a perspectiva de um estrangeiro ajuda a desmistificar a suposta glória de alguns dos episódios da nossa história.
quinta-feira, 29 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
António, o iberista
Neste banco da praça Carlos Alberto que parece atrair leitores (já aqui falei com o Alexandre e com o Niklas), estava sentado o António que tinha consigo dois livros, porque tem o hábito de ler em simultâneo ficção e não ficção. Na ficção lia "Os Homens Que Odeiam as Mulheres", de que não estava a gostar. Contou-me que, por vezes, aventura-se num bestseller, mas que em 99% dos casos considera-os maus. O livro de Stieg Larsson, no seu entender, não fugiu à regra. Dois dias antes deste nosso encontro, tinha acabado de ler "A Pista de Gelo", de Roberto Bolaño, e esse sim, considerou-o bom. No tocante à não ficção o António estava a ler "A Guerra Civil Espanhola, a União Soviética e o Comunismo", num regresso à temática maoista, já que anteriormente tinha estado a ler "Margem de Certa Maneira - O Maoismo em Portugal de 1964 a 1974". Mas este era também um regresso à história de Espanha, sobre a qual lê muito porque é um iberista convicto e tem a esperança que um dia Portugal e Espanha se unam num único estado.
domingo, 25 de março de 2012
Mariana & Allende
A Mariana, que tem uma predileção pela literatura sul-americana, escolheu a tranquilidade do Parque da Cidade, no Porto, para regressar a Isabel Allende. Leu "A Casa dos Espíritos" há algum tempo e gostou muito do livro, mas a trilogia da Águia e do Jaguar afastou-a da autora. Comentei que não foi caso único. Conheço outras pessoas a quem aconteceu o mesmo. Mas, na manhã em que a encontrei no parque, a Mariana estava disposta a dar uma nova oportunidade a Allende e tinha começado a ler "O Caderno de Maya", o seu romance mais recente. Por estar ainda muito no início, não pôde dizer se estava a gostar ou não. Agora que já se passaram uns bons dias, e na esperança de que a Mariana veja este post, desafio-a a deixar aqui o seu comentário sobre o livro.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Uma conversa, muitos livros
Na reta final deste inverno suave, encontrei o João e as filhas sentados num banco com vista para o Douro. Aproveitavam as últimas horas de sol e de calor de um domingo magnífico, que levou centenas de pessoas a passear ao ar livre. Elas entretinham-se com os deveres da escola; ele lia "Os Homens que Odeiam as Mulheres", de Stieg Larsson. Ia mais ou menos a meio da história que considerou "simples de ler" e de "entretenimento puro". Embora estivesse a apreciar o enredo, sobretudo por conter informação atual, sublinhou que do ponto de vista literário o livro não poderia comparar-se, por exemplo, a "O Grande Inquisidor", de João Magueijo, que acabara havia pouco tempo e cuja leitura recomenda. E a partir daí, o João foi nomeando, muito naturalmente, os autores e os livros da sua predileção. Hermann Hesse surgiu à cabeça e referiu "Siddhartha" como o seu livro de cabeceira, aquele que deve ser relido, porque cada fase da vida permite extrair-lhe novos ensinamentos. E, de entre os que escrevem em português, declarou-se grande admirador de Fernando Campos, sobretudo do seu romance "A Casa do Pó", que considera de grande riqueza linguística.
Por muito que eu fotografe gente a ler quase todos os dias, cada encontro é único e confirma que os livros lançam sobre nós uma espécie de feitiço bom. Aquele que leva perfeitos estranhos a falar sem reservas sobre uma grande paixão: ler.
terça-feira, 20 de março de 2012
Volta ao mundo
O Niklas é alemão, mas fala corretamente português porque viveu muitos anos em S. Paulo, no Brasil. Quando me cruzei com ele na Praça Carlos Alberto, estava pela primeira vez no Porto, onde vive uma amiga que veio visitar. E, naquele momento, lia "Shantaram", um romance baseado na extraordinária história de vida do autor, que fugiu de uma prisão na Austrália e se refugiou no submundo da gigantesca cidade de Bombaim, na Índia.
Um livro. Uma conversa. Uma volta ao mundo.
domingo, 18 de março de 2012
A Ana & o Yôga
Vi-a estendida ao sol num pedaço de relva salpicado de florinhas brancas. Ali perto corria o Douro, mas a Ana voltava-lhe as costas. A sua atenção estava completamente focada no "Tratado de Yôga", do Meste DeRose, a mais completa obra de yôga alguma vez publicada. E esta era mais do que uma simples leitura. Era estudo aprofundado, uma vez que a Ana está a preparar-se para ser formadora de formadores de yôga. O yôga entrou na sua vida há dois anos e a experiência transformou-a radicalmente. "Foi como encontrar a minha casa", disse-me ela. E é por esta casa, que tão bem a acolheu e onde se sente em paz, que a Ana vai deixar a sua profissão. Perdemos uma arquiteta, mas o seu sorriso e a serenidade com que assumiu esta opção garantiram-me que ganhamos uma mulher muito mais feliz.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Andreia & Adelaide
Na manhã do domingo passado o Parque da Cidade, no Porto, estava repleto de gente. Gente que caminhava, corria, andava de bicicleta, jogava à bola, fazia yoga, preguiçava ao sol e, claro, gente que lia. A Andreia escolheu um local perfeito para estar a sós com o seu livro, ali onde se desenha um pequeno vale relvado, delimitado por um lago cheio de patos. Diz que há uns quatro anos que queria ler "Doida Não e Não!", depois de ter ouvido a autora, Manuela Gonzaga, falar sobre o livro na televisão. Quando lhe propus a fotografia ia sensivelmente a meio da história verídica de Maria Adelaide, uma mulher rebelde e corajosa que viveu à frente do seu tempo. Tinha comprado o livro havia apenas dois dias e não conseguia largá-lo, sobretudo por estar entusiasmada com um pormenor que desconhecia: a protagonista, Maria Adelaide, viveu e foi enterrada em Ramalde, curiosamente a terra da Andreia.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Mais Crónicas de Gelo e Fogo
O Luís é um leitor assíduo e aproveita todos os momentos para ler um pouco, quer seja nos transportes públicos, na fila da cantina ou num café, bem cedo, antes das aulas começarem. Ainda não eram nove da manhã quando me cruzei com ele numa esplanada. Lia "O Festim dos Corvos", o sétimo livro das Crónicas de Gelo e Fogo. Em casa, os volumes oito e nove já aguardam a sua vez. Quando lhe pedi que me explicasse o que tem de especial esta saga, o Luís, que é fã de Literatura Fantástica, realçou de imediato a profundidade e a densidade psicológica dos personagens. E depois, destacou o facto de cada capítulo ser narrado por um dos personagens, o que permite seguir a história de diferentes perspetivas e mantém o leitor "agarrado".
segunda-feira, 12 de março de 2012
Alexandre e as paisagens de Aquilino
O Alexandre confessa que não lê tanto quanto gostaria, porque o curso de Arquitetura Paisagista e o trabalho não lhe deixam muito tempo livre. Fotografei-o, portanto, num dos raros momentos em que pode dedicar-se à leitura. Estava sentado num banco da Praça Carlos Alberto, concentradíssimo nas páginas de "A Paisagem de Terras do Demo", que requisitou na biblioteca da Faculdade de Letras. Este livro, cujo conteúdo é de grande interesse para a sua formação académica, parte da análise dos textos de Aquilino Ribeiro para demonstrar que a literatura pode ser uma fonte valiosa de informação sobre a paisagem ajudando, até, na preservação das mesmas.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Pedro lê Erich Maria Remarque
Fotografei-o esta semana mas, a julgar pela t-shirt e pela intensidade do sol, dir-se-ia que me cruzei com ele em pleno verão. Bem sei que a falta de chuva é dramática, mas com um inverno rigoroso talvez o Acordo Fotográfico não tivesse tanto assunto.
Sentei-me numa esplanada para tomar um café, ali na zona do piolho, e a contracapa vermelha do livro que o Pedro estava a ler, lá longe na Praça dos Leões, chamou-me a atenção. Era um exemplar de "A Oeste Nada de Novo", de Erich Maria Remarque, editado pela Europa-América em março de 1971. À semelhança de outros leitores de quem já aqui falei, o Pedro também é cliente de alfarrabistas e dá prioridade aos livros usados por dois motivos: os preços são muito mais acessíveis (por este livro em particular pagou apenas 2 Euros) e as capas antigas, mais bonitas por serem mais simples.
O que não foi muito simples foi ler o livro de uma assentada. Num destes sábados à noite, o Pedro preferiu não sair de casa para poder avançar no romance, que já ia adiantado. Deitou-se, pôs música, começou a ler mas, ao fim de uma ou duas folhas, um erro na ordenação dos cadernos remetia-o de novo para a página 17... Por sorte, uns dias mais tarde, encontrou num alfarrabista exatamente o mesmo livro, mas desta vez com todas as páginas e pôde retomar a leitura tranquilamente.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Glória lê Philippa Gregory
O Jardim da Cordoaria, no Porto, é um daqueles lugares onde é certinho encontrar alguém a ler. Sempre que passo por lá à hora de almoço, a caminho de uma esplanada para tomar café ou de umas compras apressadas em Cedofeita, pergunto-me: "E hoje, quem será e que livro terá consigo?" Esta última vez conheci a Glória, que estava quase, quase a acabar "Catarina de Aragão", um romance histórico de Philippa Gregory de que estava a gostar muito.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Correntes d'Escritas 2012
Há cinco anos que vou às Correntes d'Escritas, uma belíssima festa literária que reúne, num ambiente descontraído e informal, escritores de língua portuguesa e espanhola, editores, jornalistas, estudantes e todos os leitores que se lhe quiserem juntar. No primeiro dia do evento, no intervalo entre a conferência de abertura e a primeira mesa, percorri a plateia com o olhar para tomar o pulso ao público. Foi então que vi o Joaquim a ler mesmo atrás de mim. Quem já foi às Correntes sabe que uma das suas grandes virtudes é precisamente a facilidade com que perfeitos estranhos se envolvem em longas conversas sobre escritores, livros e leituras. Foi, portanto, sem surpresa que a conversa fluiu, mas foi com espanto que ouvi o que este leitor tinha para partilhar.
O Joaquim comprou o seu primeiro livro, com o seu próprio dinheiro, quando tinha catorze anos: um volume com os sonetos da Florbela Espanca. Seguiu-se "Manhã Submersa", de Vergílio Ferreira e nunca mais parou de comprar livros. Cliente assíduo de alfarrabistas, lê 4 a 5 livros por mês. E lê de tudo, às vezes sem grande critério nas escolhas que faz, o que lhe tem permitido descobrir excelentes autores, mas também o força a deixar alguns livros a meio. Ao fim de todos estes anos acumulou 4500 volumes, que guarda numa casa que serve apenas para esse efeito. Leram "A Casa de Papel"? Foi desse pequeno romance que me lembrei, onde um tal de Delgado vivia numa casa forrada de livros ("livros na casa de banho, livros no quarto de serviço, na cozinha, nos quartos do fundo") e um outro personagem chamado Carlos construiu uma casa junto ao mar usando os seus livros como tijolos.
Passou depressa o intervalo daquela tarde. Os participantes na primeira mesa já tinham tomado os seus lugares no palco e eu tive e regressar ao meu na plateia antes que o perdesse. Para a posteridade ficou a fotografia que tirei ao Joaquim, abraçado ao livro que lia: "Riacho Doce", de José Lins do Rego. Adquirida num alfarrabista, esta edição da Livros do Brasil estava assinada e datada pelo punho da senhora que o comprou em 1965, precisamente o ano em que o Joaquim nasceu.
quinta-feira, 1 de março de 2012
O Acordo Fotográfico na Time Out Porto de março
Está nas bancas desde o dia 29 de fevereiro e o Acordo Fotográfico vem em grande destaque logo nas primeiras páginas! Estarei para sempre grata à equipa da Time Out Porto pelo interesse no meu projeto e pela inestimável ajuda que me deram na sua divulgação. Mais uma vez: muito obrigada! A quem não me conhece deixo apenas um reparo: embora viva no Porto há doze anos e tenha já uma costela portuense, a verdade é que não sou da Invicta. Trago-a no coração, obviamente, mas o que eu sou mesmo é algarvia.
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