terça-feira, 30 de abril de 2013

Lurdes, a romântica
Romantic Lurdes


A Lurdes foi à Biblioteca Municipal Almeida Garrett com a família toda. A filha assistia a uma explicação, o filho fazia os trabalhos de casa com a ajuda do pai e a Lurdes aproveitou o tempo livre para ler. Os livros fazem parte da sua vida desde sempre. Quando era pequena, o pai era assinante da Reader's Digest e já nessa altura lia todos os livros que chegavam a casa. Ler antes de adormecer, por exemplo, é um hábito que vem desses tempos. Hoje em dia, conta com satisfação que é ela quem partilha os livros com a filha, que descobriu recentemente o prazer da leitura. Na tarde em que a abordei, lia "As Cinquenta Sombras Livre", o último volume da badaladíssima trilogia erótica escrita por E. L. James. A Lurdes confessou-se fascinada pelo livro, por este abordar temas tabu e abrir horizontes. Romântica incorrigível, considera-o acima de tudo um livro sobre o amor, vocacionado em particular para o público feminino dado a fantasiar com o príncipe encantado. A música calma que ouvia no iPod da filha ajudava-a a relaxar e a "entrar" na história.


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Lurdes went to the Almeida Garrett Municipal Library with her entire family. Her daughter attended a lesson, her son did his homework with the help of his father and Lurdes used her free time to read. Books have been part of her life since forever. When she was a child her father subscribed Reader's Digest and back then she read all the books that came in to the house. Reading before falling asleep, for instance, is an habit from those days. Today, Lurdes happily tells that it is she who shares books with her daughter, who recently discovered the pleasure of reading. In the afternoon that I approached her, she was reading "Fifty Shades Freed", the last volume of the incredibly famous erotic trilogy written by E. L. James. Lurdes revealed she was fascinated by the book, because it approaches themes that are taboo and opens up horizons. As an incorrigible romantic, she thinks it is mainly a book about love, especially directed to the female audience always dreaming about prince charming. The calm music that she was listening to in her daughter's iPod helped her to relax and go into the story.
Translated by Marisa Silva

domingo, 28 de abril de 2013

No 507: Sérgio & A Guerra dos Tronos
In the 507 bus: Sérgio & A Game of Thrones


Não, contrariamente à esmagadora maioria dos leitores de George R. R. Martin que fotografei, o Sérgio não viu a série "A Guerra dos Tronos". A leitura da saga foi-lhe vivamente recomendada por uma amigo que gostou muito dos livros. Quando o conheci, lia o primeiro volume, mas estava a gostar tanto que já tinha comprado os outros livros quase todos. A fotografia foi tirada a bordo do 507, o "meu" autocarro de todos os dias, onde já não apanhava alguém em flagrante leitura havia algum tempo.


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No, unlike the overwhelming majority of the readers of George R. R. Martin that I photographed, Sérgio never saw the TV show "A Game of Thrones". Reading the saga was highly recommended by a friend thar really enjoyed the books. When I met him, he was reading the first volume, but he was enjoying it so much that he went ahead and had already bought the majority of the others books. The picture was taken on board of the 507 bus, "my" bus of every day, where I didn't catch someone reading in a long time.
Translated by Marisa Silva

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ana & um thriller
Ana & a thriller


Numa viagem de metro entre o centro de Matosinhos e o Campo 24 de Agosto, no Porto, sentei-me ao lado da Ana, que lia o thriller "Em Parte Incerta", da autora norte-americana Gillian Flynn. O livro foi-lhe recomendado por uma amiga, que o viu numa livraria, leu a sinopse e o achou perfeito para Ana, que gosta particularmente de policiais. A leitura, embora algo complicada no início, revelou-se muito mais interessante à medida que foi avançando na história e quando a fotografei a Ana admitiu que já estava a ficar completamente "agarrada" ao livro. 

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On a subway ride between downtown Matosinhos and Campo 24 de Agosto, in Porto, I sat next to Ana, who was reading the thriller "Gone Girl” from the North-American author Gillian Flynn. A friend saw the book in a bookstore, read the summary and thought it was perfect for Ana that especially enjoys detective books, so she recommended it. Although the reading was rather difficult at first, later it became much more interesting as the story progressed and when I took Ana's picture she admitted that she was becoming completely addicted to the book.
Translated by Marisa Silva

terça-feira, 23 de abril de 2013

António & Julia Navarro


Em frente ao Hospital de Sto. António, no Porto, há um café pelo qual passo todos os dias quando saio do trabalho e me dirijo para a paragem do autocarro. Esse café, cujo nome nunca retive, ocupa quase todo o rés do chão de um prédio de esquina e conta com uma grande fachada envidraçada, junto à qual se encontram as melhores mesas, as que têm vista para a rua. Tenho a certeza absoluta que não foi a primeira vez que vi o António a ler ali, mais ou menos àquela hora, mas só naquele dia me decidi a entrar no café para lhe pedir que me deixasse fotografá-lo. O António lia "Diz-me Quem Sou" de Julia Navarro, uma autora espanhola que não conhecia. Tinha visto uma entrevista sua na televisão e como tinha lido e gostado de outros autores espanhóis — nomeadamente Carlos Ruiz Zafón ou Ildefonso Falcones —, decidiu avançar para a leitura deste romance. O livro, no entanto, não estava a suscitar grande entusiasmo. A leitura revelou-se agradável o suficiente para ocupar os tempos livres. "Vai-se lendo", afirmou. Para registar o momento, decidi voltar à rua e fotografar o António tal como o vi quando passei pelo café a caminho da paragem do autocarro.


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In Porto, in front of Santo António Hospital, there is a coffee shop that I walk by every day when I get out of work and go to the bus stop. That coffee shop, which name I can't ever retain, has a huge window where the best tables are, the ones with a street view. I am pretty sure that this time wasn't the first that I saw António reading there, around the same time of the day, but it was only then that I decided to go in to the coffee shop where I had never been before to ask him if I could take his photo. António was reading "Diz-me Quem Sou", by Julia Navarro, a Spanish author that he had never heard about before. After watching her being interviewed on TV, he decided to give her novel a chance, mostly because he had already read and liked other Spanish authors like Carlos Ruiz Zafón and Ildefonso Falcones. However, he was not very enthusiastic about the book. Reading it was just pleasant enough to fulfill the free time. " It's ok", he said. To capture the moment, I went back to the street and pictured António just like I saw him when I walked by the coffee shop on my way to the bus stop.
Translated by Marisa Silva

domingo, 21 de abril de 2013

Ler é muito divertido!
To read is a lot of fun!


Para a Liana e para o Enio os momentos de leitura são sempre de puro divertimento, com direito a gargalhas e tudo. Foram essas gargalhadas, a forma como partilhavam o pufe e a comunhão em torno do livro que me levaram a pedir-lhes a fotografia. A Liana contou-me que quando o Enio era mais pequeno frequentavam mais a biblioteca e que naquela tarde só estavam por lá porque o Enio tinha insistido muito para que fossem. É que para além dos livros, que ele adora, há também na biblioteca muitos brinquedos disponíveis. E a Liana, obviamente, não pôde negar esse prazer ao filho porque para além dos momentos divertidos que passam juntos, considera os livros aliados extraordinários no desenvolvimento da imaginação e das competências de comunicação do seu filhote. "Lulu e o Pinheirinho Orfão" era o livro que liam quando os fotografei.


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To Liana and Enio reading time is always full of fun, with laughter included. It was that laughter, the way they shared the puff and communion around the book that lead me to ask permission to photograph them. Liana told me that when Enio was smaller they went more often to the library and in that afternoon they were there only because Enio insisted a lot to go. The thing is, beyond books that he loves, there are lots of toys available at the library. And obviously Liana couldn't deny that pleasure to her son because besides the fun time they have together, she believes books are extraordinary allies in developing the imagination and the communication skills of her little boy. When I photographed them, they were reading "Lulu e o Pinheirinho Orfão".
Translated by Marisa Silva

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pai e filha numa cruzada pelos livros
Father and daughter on a crusade for books


Uma das muitas vantagens de ter começado o Acordo Fotográfico é ter vindo a conhecer, ao longo deste ano e meio, gente tão ou mais apaixonada que eu pelo mundo dos livros. O Miguel é um desses casos, uma vez que o gosto pela leitura o levou a criar o www.winkingbooks.com, a maior plataforma portuguesa de troca de livros, totalmente gratuita. No seu entender, os livros foram escritos para ser lidos e não para ficarem parados nas prateleiras lá de casa. Por isso, procura pô-los a circular e fazer do Winkingbooks uma enorme biblioteca ao alcance de qualquer um. Desafio ainda maior, no entanto, parece ser o de estimular a sua filha Clara a ler, "uma cruzada", como diz, já que os interesses dos miúdos são muitos e a atenção facilmente se dispersa. Nesse esforço para que a Clara se dedique mais aos livros, costuma levá-la à Hora do Conto, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Foi depois dessa atividade que os fotografei: o Miguel lia "O Espião Que Saiu do Frio", que estava na sua longa lista de livros por ler; a Clara lia "O Karaté Te Dou Eu", que tem o rato Geronimo Stilton como principal protagonista. 


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One of the many advantages of having started Acordo Fotográfico is that I met, in one and a half year, people as much or even more in love than me with the world of books. Miguel is one of them, once his taste for reading made him create www.winkingbooks.com, the biggest Portuguese book exchange platform, totally free. His point of view is that books were written to be read and not to be left in shelves at home. So, he tries to move them around and to transform Winkingbooks in a huge library accessible to everyone. However, a bigger challenge than this one seems to be to stimulate his daughter Clara to read, “a crusade”, as he says, because kids have lots of interests and their attention often wanders. In the effort to try that Clara spends more time reading, he usually takes her to Story Time at the Almeida Garrett Municipal Library. It was after that activity that I photographed them: Miguel was reading "The Spy Who Came in from the Cold", that was in his long list of books to read; Clara was reading "The Karate Mouse", with Geronimo Stilton as the main character.
Translated by Marisa Silva

terça-feira, 16 de abril de 2013

Na biblioteca com Calvin & Hobbes
At the library with Calvin & Hobbes


A Flávia e o Ico costumam levar as filhas Yasmin e Maria Eduarda à Biblioteca Municipal Almeida Garrett para que assistam à hora do conto, um momento de que as meninas gostam muito. O estímulo à leitura é algo que os preocupa bastante enquanto educadores e acreditam que a biblioteca tem um papel muito importante a desenvolver nesse campo. No entanto,  ambos acham que deveria haver mais atividades como a Hora do Conto à disposição das famílias, sobretudo aos fins de semana, altura em que os pais têm maior disponibilidade para acompanhar os miúdos. Quando os conheci, o Ico e as filhas liam aquele que é já um clássico da banda desenhada: "Há Monstros Debaixo da Cama". Um volume cheio de aventuras de Calvin & Hobbes, que o Plano Nacional de Leitura recomenda. 
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Flávia and Ico usually go with their daughters Yasmin and Maria Eduarda to Story Time at Almeida Garrett Municipal Library, a moment that the girls really enjoy. As parents Flavia and Ico are quite worried about stimulating their daughters to read and they believe that the library performs an important role in that area. They both think that more activities like Story Time should be available to the families, especially on weekends, when most parents have more time to spend with their kids. When I met them, Ico and the girls were reading a comic book that is already a classic: "Something Under The Bed Is Drooling". A volume full of adventures of Calvin & Hobbes, witch is recommended by the Reading National Plan.
Translated by Marisa Silva

domingo, 14 de abril de 2013

Quatro leitores e uma bruxa
Four readers and a witch


A cena era ternurenta. O Abel lia um livro de grande formato e alternava a voz do narrador com a voz da protagonista da história, representando com grande empenho e convicção o papel de Bruxa Mimi, que andava às voltas com o seu novo computador mágico. A Eva, o Noam e o Adam, por seu turno, disputavam o colo do Abel num esforço para estar o mais possível em cima do livro e não perder pitada da história. O entusiasmo era de tal ordem que a minha interrupção, embora breve, gerou algum descontentamento. O Adam interrompe a minha conversa com o Abel e, forçando o pai a virar o rosto para o livro, diz: "Vá láááá!". É que não havia tempo a perder: uma vez terminada a história, os quatro iam para a sala de audiovisuais da Biblioteca Municipal Almeida Garrett ver o filme "O Pedro e o Lobo".


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The scene was full of tenderness. Abel was reading a large size book and alternated the voice of the narrator with the voice of the main character, representing with great commitment and conviction the role of Winnie the Witch, who was round and round her new magical computer. Eva, Noam and Adam, on the other hand, disputed the lap of Abel in a effort to be as close as possible to the book and don't miss a thing of the story. The enthusiasm was such that my interruption, although short, generated some discontentment. Adam interrupts my conversation with Abel and, forcing his father to turn the face to the book, says: "Caaaamooon!". There was no time to loose: once the book was finished, the four should go to the multimedia room of the Almeida Garrett Municipal Library to see the movie "Peter and the Wolf".
Translated by Marisa Silva

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Frans de visita ao Porto
Frans in Porto


Para os meus padrões, o início daquela tarde era bastante frio e ventoso, mas para Frans, que é holandês, o pouco sol que fazia era suficiente para se sentar num dos bancos do jardim do Palácio de Cristal e desfrutar de um livro. Frans e a mulher estavam de visita a Portugal pela segunda vez. Há dois anos exploraram Lisboa, Cascais e o Estoril. Desta vez voltaram para passar cinco dias no Porto. Fotografei-o quando faziam uma pausa no passeio, momento que o Frans aproveitou para ler algumas páginas de "De Sophie". O livro, escrito por Patrick O'Brian, narra a história do capitão de um pequeno navio de guerra que zelava pelos navios mercantes que faziam a rota do Egipto nos tempos de Napoleão. Um romance histórico, estilo literário de que Frans gosta particularmente.

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For me, the beginning of that sunny afternoon was rather cold and windy, but to Frans, a Dutch, it was warm enough to sit on one of the few benches of the gardens of Palácio de Cristal and enjoy a book. Frans and his wife were visiting Portugal for the second time. Two years ago they travelled through Lisbon, Cascais and Estoril, so, this time they came back to spend five days in Porto. I photographed him when they were just taking a break and Frans took some time to read a few pages of "De Sophie". The book, written by Patrick O'Brian, tells the story of a captain of a small war vessel that watched over the merchant ships on their way to Egypt in the age of Napoleon. A historical novel, the literary style that Frans particularly enjoys.

terça-feira, 9 de abril de 2013

A dicotomia
The dichotomy


O Rui não é frequentador habitual da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, mas deu-se a coincidência de lá estar num dos dias que eu tinha estipulado para fotografar no interior do edifício. Leitor de tudo um pouco, gosta de poesia em particular. Quando o fotografei, lia uma coletânea de poemas sobre a cidade do Porto organizada por Eugénio de Andrade. À pergunta sobre o porquê daquela escolha, o Rui respondeu: "Pela dicotomia Porto/Lisboa. Porque quem faz versos sobre Lisboa, escreve fados; e quem faz versos sobre o Porto escreve poesia".

Hoje, pela primeira vez no Acordo Fotográfico, segue-se uma tradução do texto para inglês, um passo importante que não seria possível sem a gentil colaboração da Marisa Silva, a quem muito agradeço.


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Rui isn't a frequent user of Almeida Garrett Municipal Library, but by coincidence he was there in one of the days that I have scheduled to photograph inside the building. Reader of a bit of everything, he likes poetry in particular. When I photographed him, he was reading a collection of poems about the city of Porto organized by Eugénio de Andrade. When I asked him the reason for that choice, Rui answered: "Because of the dichotomy Porto/Lisboa. Because someone that makes verses about Lisbon, writes fados*; and someone that makes verses about Porto writes poetry".
Translated by Marisa Silva

*Translator's Note: Fado - a typical song from Portugal.

domingo, 7 de abril de 2013

Um pequeno devorador de histórias


O Dinis é frequentador assíduo da Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Vai pelas mãos da tia Mafalda e do amigo Nuno e juntos assistem à muito concorrida Hora do Conto. Mas antes disso há sempre tempo para a leitura de uma história a três. O Dinis escolhe os livros, entrega-os ao Nuno e enquanto este lê, absorve cada palavra, cada detalhe, assim mesmo, com este ar compenetradíssimo que se vê na fotografia. Diz a tia Mafalda que o Dinis adora ler, que é incapaz de adormecer sem que lhe seja contada uma história e que fica fascinado por todas elas. Na manhã em que os fotografei a escolha literária tinha recaído sobre "Piggy Wiggy Pirata", um título que tem como protagonista um simpático porquinho aventureiro e que é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O mundo maravilhoso das bibliotecas


Gosto de bibliotecas. Da biblioteca dos meus pais, que me formou; da minha modesta biblioteca, lentamente construída; das bibliotecas que vejo em certas casas de revista, que ocupam todas as paredes de uma divisão, com estantes do chão ao teto; da Biblioteca Nacional, em Lisboa, cujo cheiro é impossível esquecer e de tantas outras, públicas ou privadas, por onde fui passando. Quando olho para as minhas estantes sinto o conforto das boas recordações. Ali está gente com quem aprendi muito. E quando estou perante uma grande biblioteca, daquelas com milhares de livros, a quase infinita possibilidade de escolha perturba-me. Se pudesse ler tudo o que me apetecesse, suspeito que jamais saberia por onde começar.

As bibliotecas que frequentei muitas vezes quando era estudante — nomeadamente, a velhinha Biblioteca Municipal de Portimão, que funcionava no decrépito edifício do antigo tribunal — já nada têm a ver com as modernas estruturas de hoje. Onde antes havia livros trancados em estantes inacessíveis e salas de leitura inóspitas, há hoje edifícios modernos, concebidos de raiz para cumprirem esta maravilhosa função de albergar livros e convidar todos a entrar e por lá se demorarem. Disse-me no outro dia a bibliotecária mais entusiasta que alguma vez conheci, que as bibliotecas municipais foram, em Portugal, uma das maiores conquistas do pós-25 de abril. Também elas protagonizaram, à sua maneira silenciosa, uma revolução e deram um contributo fundamental para a consolidação da nossa democracia. 

No interior destes edifícios — quais cidades dentro das cidades — cruza-se gente de todas as condições sociais, de todas as idades, com os mais variados interesses e motivações, de diferentes raças ou credos. Ali impera a liberdade de chegar, vaguear por entre as estantes, espreitar as lombadas, pegar num livro qualquer e sentar-se confortavelmente para ler o tempo que se quiser, num espaço pensado para tal ao mais ínfimo pormenor, sem ter de prestar contas a ninguém. Um luxo tremendo! Um luxo que não valorizamos o suficiente e que os tempos de austeridade cega que vivemos ameaçam seriamente...

Por todas estas razões, acalentava há já algum tempo retratar leitores dentro de um destes espaços e a belíssima Biblioteca Municipal Almeida Garrett (BMAG), no Porto, era onde mais desejava fotografar. Tive o privilégio de me ser concedida a autorização solicitada e estou em condições de começar a partilhar convosco o resultado do trabalho que tenho vindo a desenvolver naquele espaço. O meu muito obrigada aos responsáveis pela biblioteca e aos leitores que tenho interrompido.

O primeiro leitor que fotografei foi o Manuel e, modéstia à parte, acho que não poderia ter começado melhor: a fotografia está muito bonita. Este senhor de porte distinto é um frequentador assíduo da BMAG, assim como da outra biblioteca municipal do Porto, a de S. Lázaro. Nutre um gosto muito especial pelos livros e aprecia em particular o sossego que lhe proporcionam. Quando o conheci tinha sobre a mesa o índice geral d' "O Tripeiro" — revista fundada em 1908 — assim como um volume onde estavam arquivados os números editados em 1969. O Manuel considera o trabalho desta publicação muito válido e formidável a consulta que permite.