... porque não me deixaram tirá-la.
A Elisabete e o Patrício são de Braga, vivem em Vigo (Espanha) e aproveitaram um fim de semana para vir passear ao Porto. Cruzei-me com eles na Livraria Lello, onde o Patrício folheava, sentado num sofá, um exemplar de "Taschen's Favourite Hotels". Disse-me ele que viajariam em breve para a Tailândia e que o livro poderia dar-lhes alguma ideia acerca do alojamento. Sugeri-lhe que tirássemos uma foto e ele aceitou mas, infelizmente, por motivos aos quais somos ambos alheios, isso não foi possível.
Vou à Livraria Lello com muita frequência e foi com surpresa que um dia reparei num autocolante colado na porta que alertava para a proibição de fotografar dentro do edifício. Juro-vos que fiquei baralhada. Então agora que a fama da livraria chega aos quatro cantos do mundo por ter sido eleita uma das mais belas e que vem gente de longe para vê-la, proíbem as fotografias? Isto soou-me a "Ah e tal, a nossa livraria é um espetáculo, mas isto agora é uma chatice porque as low cost despejam no Porto magotes de turistas, que entram aqui em rebanho com o único objetivo de tirar uma foto junto à escadaria vermelha, e que se põem na alheta sem sequer nos comprar um postal." Pois é, pá, ser famoso, às vezes, é mesmo aborrecido...
A gerência da livraria terá os seus argumentos, é certo. E hão de ser válidos, admito. Mas eu não pude deixar de sentir esta proibição como algo muito pouco simpático. Arrogante, até. Sobretudo quando noutras livrarias, igualmente belas, igualmente únicas, me foi permitido fotografar à vontade. Falo da El Ateneo, em Buenos Aires, e da Ler Devagar, em Lisboa. E, já agora, na Bertrand do Chiado, que é só a livraria mais antiga do mundo ainda em atividade, também se pode fotografar à vontade.


















