domingo, 29 de abril de 2012

Este post não tem fotografia...

... porque não me deixaram tirá-la.

A Elisabete e o Patrício são de Braga, vivem em Vigo (Espanha) e aproveitaram um fim de semana para vir passear ao Porto. Cruzei-me com eles na Livraria Lello, onde o Patrício folheava, sentado num sofá, um exemplar de "Taschen's Favourite Hotels". Disse-me ele que viajariam em breve para a Tailândia e que o livro poderia dar-lhes alguma ideia acerca do alojamento. Sugeri-lhe que tirássemos uma foto e ele aceitou mas, infelizmente, por motivos aos quais somos ambos alheios, isso não foi possível. 

Vou à Livraria Lello com muita frequência e foi com surpresa que um dia reparei num autocolante colado na porta que alertava para a proibição de fotografar dentro do edifício. Juro-vos que fiquei baralhada. Então agora que a fama da livraria chega aos quatro cantos do mundo por ter sido eleita uma das mais belas e que vem gente de longe para vê-la, proíbem as fotografias? Isto soou-me a "Ah e tal, a nossa livraria é um espetáculo, mas isto agora é uma chatice porque as low cost despejam no Porto magotes de turistas, que entram aqui em rebanho com o único objetivo de tirar uma foto junto à escadaria vermelha, e que se põem na alheta sem sequer nos comprar um postal." Pois é, pá, ser famoso, às vezes, é mesmo aborrecido...

A gerência da livraria terá os seus argumentos, é certo. E hão de ser válidos, admito. Mas eu não pude deixar de sentir esta proibição como algo muito pouco simpático. Arrogante, até. Sobretudo quando noutras livrarias, igualmente belas, igualmente únicas, me foi permitido fotografar à vontade. Falo da El Ateneo, em Buenos Aires, e da Ler Devagar, em Lisboa. E, já agora, na Bertrand do Chiado, que é só a livraria mais antiga do mundo ainda em atividade, também se pode fotografar à vontade. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

À descoberta do Elemento


É indonésia, está a trabalhar em Londres e aproveitou um fim de semana prolongado para vir conhecer o Porto. Infelizmente, não posso dizer-vos como se chama porque na altura em que tirei a foto (e já foi há algum tempo) andava meio desmiolada e esqueci-me completamente de lhe perguntar pelo nome. E, o pior, é que embora ande a trabalhar na melhoria das minhas capacidades mentais, num post futuro vão poder constatar que não fiz grandes progressos...

Esta simpática viajante estava a ler "The Element", de Ken Robinson, um livro de autoajuda (ou, se preferirem, de desenvolvimento pessoal) que defende a teoria de que todos nós, ao crescermos, esquecemos e deixamos de explorar capacidades extraordinárias de imaginação e criatividade com as quais nascemos, o que faz de nós pessoas menos felizes.

Da breve conversa que tive com esta leitora (irrita-me não poder tratá-la pelo nome!) retive uma pequena confissão: achou embaraçoso ser apanhada a ler um livro daquela natureza em público. Eu ri-me e recorri, mais uma vez e por outras palavras, a um dos Direitos Inalienáveis do Leitor que Daniel Pennac enumerou: o direito de ler não importa o quê. 

Não sou grande leitora de livros de autoajuda, é verdade, mas já li uns quantos. E contrariamente ao que muita gente afirma (provavelmente gente que nunca leu nenhum de fio a pavio porque se deixa dominar pelo preconceito), há livros que cabem nesta categoria que estão muito bem escritos, transmitem-nos ensinamentos válidos e podem, de facto, levar-nos a ser pessoas melhores. E que mal tem lermos com o intuito de melhorar? Nenhum, certo?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Livro & O Autor - I


Foi o meu bom amigo Pedro (que acabou recentemente o seu primeiro romance e já começou a redigir o segundo) que me deu esta ideia. Na altura achei que não se adequaria muito ao Acordo Fotográfico por se perder, de certa forma, a espontaneidade que caracteriza o projeto. Mas a verdade é que a ideia não me saiu da cabeça e, depois de alguma reflexão, achei que valeria a pena experimentar assim que tivesse a oportunidade. E eis que ela não tardou a surgir.

Lembro-me perfeitamente da tarde em que o Zé (José Cabral) me enviou uma mensagem onde dizia que tinha começado um blogue chamado O Alfaiate Lisboeta e me convidou a visitá-lo. Fi-lo naquele momento e tenho vindo a segui-lo desde então, há mais de três anos. Mostrei-o a familiares, a amigos e a colegas de trabalho e não foram poucas as vezes que, entre grandes elogios, alguém disse que este blogue daria um bom livro. 

E o livro aí está! O autor veio apresentá-lo ao Porto e eu vi nesse momento a oportunidade que esperava para começar a fotografar autores com os seus livros. Obrigada Zé por teres alinhado e por teres inaugurado esta espécie de rubrica no Acordo Fotográfico. E obrigada Pedro pela dica. O lugar para a tua foto com o teu primeiro romance já aqui está reservado.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Porque é Dia Mundial do Livro


Não foi a primeira vez que entrei no alfarrabista que existe na Praça Guilherme Gomes Fernandes, na baixa do Porto, ali entre a Padaria Ribeiro e a Leitaria do Paço. Mas esta última visita foi especial porque atrás do balcão estava a Nair que, com extrema delicadeza e paciência, se dedicava ao restauro de um livro. 

A obra em causa era uma primeira edição de "Poemas Para Florbela", publicado em 1950 pela editora Cítara e que inclui textos de diversos autores. No momento em que a fotografei, a Nair estava a lixar muito levemente o livro para limpá-lo, tarefa que também pode ser feita com uma simples borracha. Tudo isto, como me explicou, tem de ser feito com muito cuidado, para não se correr o risco de estragar o livro e desvalorizá-lo comercialmente. Quando estivesse limpo, seria encapado com papel cebola e estaria pronto para ser colocado à venda.

Hoje não vos mostro ninguém a ler, mas dou-vos a conhecer alguém que começou há muito pouco tempo a aprender a arte de restaurar livros para que outros possam lê-los. E achei que a história deste breve encontro merecia ser partilhada convosco hoje, que é Dia Mundial do Livro.

domingo, 22 de abril de 2012

Do pequeno ecrã para os livros


Tal como o Mário, que fotografei em fevereiro, também o Manuel começou por seguir as Crónicas de Gelo e Fogo na televisão e partiu, depois, para a leitura dos livros. Tinha consigo a edição inglesa, em formato de bolso, de "A Clash of Kings", o segundo volume da saga. O Manuel decidiu ler em inglês para aperfeiçoar o idioma e adquirir mais vocabulário, mas reconhece que o facto do livro estar escrito num inglês arcaico torna a leitura difícil e, embora perceba o significado das palavras mais complexas pelo contexto, diz que volta e meia precisa de consultar o dicionário. 


Recentemente, a autora espanhola Maruja Torres escreveu o seguinte a propósito da crise em Espanha (que é, também, a nossa crise): "(...) en primer lugar, esto no es una crisis. Esto es una remodelación del mundo, emprendida por los poderosos para que los débiles pierdan lo poco que han conseguido a lo largo de décadas de lucha (...) me parece que caminamos hacia sociedades para las que Juego de Tronos (adoro esa serie que representa nuestro pasado en el corazón de las tinieblas) será algo así como el telediario de mediodía."


Poderá, então, ser esta outra das razões para o sucesso da saga de George R. R. Martin? Estarão os leitores a projetar esta história de trevas nos dias de hoje, em que assistimos a uma sucessão de golpes dos poderosos em detrimento do povo? 


Neste momento, estou a ler "As Vinhas da Ira" e quando me deparo com algumas passagens, que tenho transcrito aqui, também sinto que este livro, publicado em 1939, poderia ter sido escrito hoje. É a tal intemporalidade de que são feitas as obras-primas.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Recordações de uma tarde de sol


Há uns meses encontrei a Kasia, uma jovem polaca, sentada de frente para o mar numa pequena praia do Porto. Estava a ler "Harry Potter and the Deathly Hallows", o sétimo e último volume da saga sobre do aprendiz de feiticeiro mais famoso da história da literatura. Nestes dias chuvosos apeteceu-me ir buscar esta memória solarenga aos meus arquivos. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Do grande ecrã para os livros


A Susana gosta muito de ler, mas não o faz tanto quanto gostaria desde que está na faculdade. Entre o curso e o estágio que está a fazer no Porto não lhe sobra muito tempo. Ainda assim, foi a ler que a encontrei, em Campanhã, na reta final de uma semana de trabalho. Tinha pousado no colo "A Rainha no Palácio das Correntes de Ar", o terceiro e último volume da saga Millennium, de Stieg Larsson. A Susana começou por ver no cinema o filme baseado no primeiro livro e depois, levada pela curiosidade em saber como continuava a história, comprou os outros dois livros. Contrariamente a outra opinião já aqui registada, a Susana estava a gostar da saga por achar o enredo muito envolvente e lamentou, até, que o autor tivesse morrido precocemente, porque teria ainda muito para dar aos seus leitores.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Acordo Fotográfico no P3


Foi publicado hoje no P3 um artigo sobre o Acordo Fotográfico. Que alegria! Deixo aqui um muito obrigada à equipa do P3, muito particularmente à jornalista Inês Nadais, com quem gostei imenso de conversar, e ao fotógrafo Fernando Veludo, que me propôs uma brincadeira que acho que resultou muito bem. Estar-vos-ei eternamente grata!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Filipe, o "flâneur"


Encontrei o Filipe sentado à porta da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, que fica no recinto do Palácio de Cristal, no Porto. Estava a folhear dois livros que tinha acabado de requisitar: "Porto Sem Fim" e "Porto, a Arte do Ferro". Gostaria de ter requisitado um outro sobre os 60 anos do Coliseu do Porto, mas um leitor menos consciencioso levou o livro e nunca mais o devolveu à biblioteca... 

O Filipe, que gosta de flanar pela Invicta, procura estes livros para aprofundar o seu conhecimento sobre a cidade e vê-la com outros olhos. Este hobby, como ele o define, levou-o a ler, também, sobre os jardins públicos, que lhe revelaram pormenores fantásticos. Como, por exemplo, a Ginkgo Biloba do Jardim das Virtudes, uma árvore que tem 200 anos. Ou as Araucárias dos jardins do Palácio de Cristal, oriundas da América do Sul, que foram plantadas sem grande esperança que medrassem por causa do clima mais frio, mas que resistem até hoje.

Confesso que ignorava por completo a existência destas árvores. E imagino que estes não sejam os únicos (grandes) pormenores acerca do Porto que desconheço. Portanto, hoje pretendo colmatar pelo menos uma destas falhas e vou até ao Jardim das Virtude ver a Ginkgo Biloba. E, se fôr possível, hei-de pousar nela as minhas mãos, porque não é todos os dias que se pode tocar numa árvore bicentenária. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Zoe, em Campanhã



Sexta-feira Santa, Campanhã, 5h30. Eu, exilada voluntária no Porto, partia dentro de minutos no Alfa em direção ao Algarve, para mais uma Páscoa em família. A Zoe, inglesa, esperava pelo comboio que a levaria até à casa de uns amigos em Valença. Estava a ler "Unleashed", um livro de literatura fantástica que a acompanhou durante a viagem e a manteve acordada toda a noite. 

domingo, 8 de abril de 2012

Pedro e o Big Bang


Não é a primeira vez que o Pedro lê "Big Bang", um livro escrito por Simon Singh e editado pela Gradiva. Teve a pouca sorte de perder o primeiro exemplar, que estava cheio de anotações. Decidiu, por isso, perder o amor ao dinheiro (mais de 26 Euros) e comprar um segundo exemplar que releu e voltou a anotar. Embora se considere um leigo, o Pedro, que é apaixonado por ciências e tem um particular fascínio pela astronomia, falou-me com grande entusiasmo deste livro. Diz que está escrito precisamente para leigos e que acaba por ser uma obra sobre a história da ciência, porque faz uma retrospetiva das muitas teorias do cosmos que foram elaboradas ao longo dos tempos. E realça a sua grande atualidade  uma vez que aborda, também, a questão do Bóson de Higgs (ou Partícula de Deus), cuja existência os físicos do CERN poderão ou não confirmar muito em breve. Por todas estas razões, este é um livro que o Pedro recomenda vivamente!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Fátima & Sparks


Quando a abordei, a Fátima mostrou-se algo renitente. Eu não sou de insistir muito, mas achei que seria uma pena não fotografá-la. Vai daí, puxei a brasa à minha sardinha, mencionei os elogios que têm sido feitos ao blog, garanti-lhe que o projeto é sério e lá consegui convencê-la a marcar presença no Acordo Fotográfico. 

A Fátima, que é sobretudo uma leitora de romances, aguardava a chegada de umas amigas e, entretanto, lia "Um Refúgio Para a Vida", de Nicholas Sparks, autor que aprecia por considerar as suas histórias muito reais. Falou-me, também, de outros livros do autor que já leu, mencionou que embora não leia todos os dias, vai lendo com alguma regularidade e que qualquer lugar serve para fazê-lo. 

Senti que a Fátima ficou mais à vontade à medida que fomos conversando, mas ainda assim, quando me despedi, disse-me: "Espero que isto seja mesmo verdade, que hoje em dia é preciso ter cuidado com essas coisas na internet". Pois é, Fátima, é mesmo verdade. Espero, sinceramente, que passe por cá, que goste de se ver e que goste de ver os outros leitores que tive o privilégio de fotografar. A todos um grande bem-haja!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Katja & Murakami


A Katja é eslovena e está em Portugal há pouco mais de um mês para fazer um estágio no Gabinete de Relações Internacionais da Universidade do Porto. Vai ficar por cá até ao final de julho. Passei por ela na Praça dos Leões, mesmo em frente ao edifício da reitoria, onde trabalha. Estava a ler uma edição inglesa de "Norwegian Wood", de Haruki Murakami, que lhe foi oferecida quando fez anos. É a primeira vez que lê Murakami e admite que não foi fácil entrar na história. Mas confirma que depois de o ter conseguido ficou presa ao livro. 

domingo, 1 de abril de 2012

O direito de não acabar um livro


Não são poucas as vezes que ao escrever estes posts me lembro dos Direitos Inalienáveis do Leitor enumerados por Daniel Pennac em "Como um Romance". Para um blogue como este, que se alimenta única e exclusivamente das leituras dos outros, direitos como o de "não ler" ou o de "não falar do que se leu" são uma séria ameaça. Mas, felizmente, andam por aí muitos leitores a exercer o legítimo direito de " ler não importa onde" e é nesse momento que eu surjo de câmara em punho. 

Na tarde em que conheci a Cristina foi do "direito de não acabar um livro" que me lembrei. Embora não leia muito, a Cristina está determinada em mudar este aspeto da sua vida. Foi por isso que retomou a leitura de "Café República", livro que o irmão lhe emprestou há muito tempo e que se sente na obrigação de terminar, apesar de não estar a gostar da história. Quando lhe perguntei por que motivo não o deixava a meio, respondeu-me que queria dar-lhe uma oportunidade, até porque já lhe tinha acontecido só começar a gostar de um livro com a leitura bastante adiantada. 

Não foram poucas as vezes que fiz o mesmo. Mas a vida ensinou-me que, para além de haver livros que nos chegam às mãos na altura errada, o tempo de que dispomos nunca chegará para ler tudo o que está ao nosso alcance. Por isso, com a ajuda preciosa de Pennac, passei a exercer sempre que necessário e sem peso na consciência "o direito de não acabar um livro".

quinta-feira, 29 de março de 2012

António, no Progresso


O Café Progresso, que vai a caminho do seu 113º aniversário, é um dos locais que mais gosto de frequentar na baixa do Porto. O café de saco é delicioso, o serviço é ótimo e o ambiente tranquilo. No meu entender, reúne todas condições para ler, sobretudo nas mesinhas junto às janelas, mas ainda não tinha tido a oportunidade de fotografar alguém que estivesse na companhia de um livro. Até que vi o António que, neste local que faz parte da história da Invicta, estava a ler a obra "História de Portugal", de Jean-François Labourdette. Perguntei-lhe se estava a gostar, respondeu que sim e realçou que a perspectiva de um estrangeiro ajuda a desmistificar a suposta glória de alguns dos episódios da nossa história. 

terça-feira, 27 de março de 2012

António, o iberista


Neste banco da praça Carlos Alberto que parece atrair leitores (já aqui falei com o Alexandre e com o Niklas), estava sentado o António que tinha consigo dois livros, porque tem o hábito de ler em simultâneo ficção e não ficção. Na ficção lia "Os Homens Que Odeiam as Mulheres", de que não estava a gostar. Contou-me que, por vezes, aventura-se num bestseller, mas que em 99% dos casos considera-os maus. O livro de Stieg Larsson, no seu entender, não fugiu à regra. Dois dias antes deste nosso encontro, tinha acabado de ler "A Pista de Gelo", de Roberto Bolaño, e esse sim, considerou-o bom. No tocante à não ficção o António estava a ler "A Guerra Civil Espanhola, a União Soviética e o Comunismo", num regresso à temática maoista, já que anteriormente tinha estado a ler "Margem de Certa Maneira - O Maoismo em Portugal de 1964 a 1974". Mas este era também um regresso à história de Espanha, sobre a qual lê muito porque é um iberista convicto e tem a esperança que um dia Portugal e Espanha se unam num único estado. 

domingo, 25 de março de 2012

Mariana & Allende


A Mariana, que tem uma predileção pela literatura sul-americana, escolheu a tranquilidade do Parque da Cidade, no Porto, para regressar a Isabel Allende. Leu "A Casa dos Espíritos" há algum tempo e gostou muito do livro, mas a trilogia da Águia e do Jaguar afastou-a da autora. Comentei que não foi caso único. Conheço outras pessoas a quem aconteceu o mesmo. Mas, na manhã em que a encontrei no parque, a Mariana estava disposta a dar uma nova oportunidade a Allende e tinha começado a ler "O Caderno de Maya", o seu romance mais recente. Por estar ainda muito no início, não pôde dizer se estava a gostar ou não. Agora que já se passaram uns bons dias, e na esperança de que a Mariana veja este post, desafio-a a deixar aqui o seu comentário sobre o livro.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Uma conversa, muitos livros


Na reta final deste inverno suave, encontrei o João e as filhas sentados num banco com vista para o Douro. Aproveitavam as últimas horas de sol e de calor de um domingo magnífico, que levou centenas de pessoas a passear ao ar livre. Elas entretinham-se com os deveres da escola; ele lia "Os Homens que Odeiam as Mulheres", de Stieg Larsson. Ia mais ou menos a meio da história que considerou "simples de ler" e de "entretenimento puro". Embora estivesse a apreciar o enredo, sobretudo por conter informação atual, sublinhou que do ponto de vista literário o livro não poderia comparar-se, por exemplo, a "O Grande Inquisidor", de João Magueijo, que acabara havia pouco tempo e cuja leitura recomenda. E a partir daí, o João foi nomeando, muito naturalmente, os autores e os livros da sua predileção. Hermann Hesse surgiu à cabeça e referiu "Siddhartha" como o seu livro de cabeceira, aquele que deve ser relido, porque cada fase da vida permite extrair-lhe novos ensinamentos. E, de entre os que escrevem em português, declarou-se grande admirador de Fernando Campos, sobretudo do seu romance "A Casa do Pó", que considera de grande riqueza linguística. 

Por muito que eu fotografe gente a ler quase todos os dias, cada encontro é único e confirma que os livros lançam sobre nós uma espécie de feitiço bom. Aquele que leva perfeitos estranhos a falar sem reservas sobre uma grande paixão: ler.

terça-feira, 20 de março de 2012

Volta ao mundo


O Niklas é alemão, mas fala corretamente português porque viveu muitos anos em S. Paulo, no Brasil. Quando me cruzei com ele na Praça Carlos Alberto, estava pela primeira vez no Porto, onde vive uma amiga que veio visitar. E, naquele momento, lia "Shantaram", um romance baseado na extraordinária história de vida do autor, que fugiu de uma prisão na Austrália e se refugiou no submundo da gigantesca cidade de Bombaim, na Índia. 

Um livro. Uma conversa. Uma volta ao mundo.

domingo, 18 de março de 2012

A Ana & o Yôga


Vi-a estendida ao sol num pedaço de relva salpicado de florinhas brancas. Ali perto corria o Douro, mas a Ana voltava-lhe as costas. A sua atenção estava completamente focada no "Tratado de Yôga", do Meste DeRose, a mais completa obra de yôga alguma vez publicada. E esta era mais do que uma simples leitura. Era estudo aprofundado, uma vez que a Ana está a preparar-se para ser formadora de formadores de yôga. O yôga entrou na sua vida há dois anos e a experiência transformou-a radicalmente. "Foi como encontrar a minha casa", disse-me ela. E é por esta casa, que tão bem a acolheu e onde se sente em paz, que a Ana vai deixar a sua profissão. Perdemos uma arquiteta, mas o seu sorriso e a serenidade com que assumiu esta opção garantiram-me que ganhamos uma mulher muito mais feliz.