quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Tiago & Alan Hollinghurst


Pergunto sempre aos leitores que interpelo se leem com frequência. O Tiago respondeu de imediato com um sorriso e um aceno afirmativo. Esclareceu: "Estou a fazer um doutoramento em Literatura, por isso leio muito, atualmente mais sobre tradução". Outra pergunta que também costumo fazer é acerca dos livros das suas vidas. O Tiago não hesitou: "Retrato do Artista Quando Jovem", de James Joyce. Fotografei-o no Metro do Porto, alguns dias antes do Natal quando lia "The Stranger's Child", um romance de Alan Hollinghurst que comprou em segunda mão numa loja em Inglaterra, país onde está a estudar. 

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I always ask readers that I encounter if they read often. Tiago immediately answered with a smile and nodded affirmatively. He clarified:" I am doing a PHD in Literature, so I read a lot, nowadays more about translating”. Another question that I usually do is about the books of their lives. Tiago didn't hesitated: “Portrait of the Artist has a Young Man", by James Joyce. I took his picture at Porto subway, a few days before Christmas when he was reading "The Stranger's Child", a novel by Alan Hollinghurst that he had bought second hand in a store in England, the country where he is studying.
Translated by Marisa Silva

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dino & Charles Darwin


O meu lugar preferido no concelho de Portimão é aquele pedaço de terra que se estende entre a Ria de Alvor e a Praia da Restinga. Ali, tudo é desafogo: voltada para poente, posso apreciar o mar, o enorme areal dourado e o perfil de Lagos; dando costas ao Atlântico, não há torres que impeçam o olhar de pousar sobre a majestosa serra de Monchique, do sopé à Fóia. Mais recentemente, um enorme passeio pedestre, numa zona inacessível a qualquer veículo, permite longos passeios pelos recantos tranquilos da ria que, devagar, se derrama no oceano. Este lugar belíssimo é uma raridade num Barlavento algarvio onde predomina o caos urbanístico que nem o Programa Polis conseguiu disfarçar. É lá que me reconcilio com a minha cidade que, de uma forma geral e com muita pena minha, não acho bonita...  O Café na Ria, poiso certo, oferece-me as caipirinhas no verão e os chás no inverno. Foi lá que fotografei o Dino, poucos dias depois do Natal.

Este jovem enfermeiro decidiu voltar a estudar e encontra-se agora no último ano do curso de Relações Internacionais. Não abandonou a enfermagem, profissão que continua a exercer, mas o fascínio pela História e pela Economia, aliado ao "gosto do conhecimento pelo conhecimento", levaram-no de novo à vida universitária. Leitor "desde miúdo, sem ter sido incentivado por ninguém em particular", o Dino tinha consigo três livros e estava a lê-los em simultâneo. "Leio meia dúzia de páginas de um livro e passo para outro. Habituei-me a ler assim, embora saiba que não é muito comum. Muita gente me pergunta como faço, mas para mim é natural", explicou. Quando o abordei a sua atenção recaía sobre "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, numa edição em inglês da Oxford World's Classics. Estava a lê-lo por curiosidade, assim como aos outros dois volumes: "As Relações Internacionais Desde 1945" e "Como Sobreviver a Uma Crise". Aparentemente, estes três títulos, lidos em simultâneo por mero acaso, nada pareciam ter em comum, mas o Dino cedo percebeu que entre todos existia um fio condutor que se revelava a cada página virada. "Hitler e muitos outros políticos foram beber às teorias de Darwin e o regime político-económico que vigora atualmente tem muito de darwiniano", considerou. E o livro da sua vida? Talvez ainda seja cedo para escolher. Mas um de que gostou "muito, muito, muito" foi "A Riqueza das Nações".

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My favourite place at Portimão county is that piece of land stretching between Ria de Alvor and Restinga beach. There, everything is clear: facing west, I can enjoy the sea, the huge golden sand and the Lagos outline; turning my back to the  Atlantic ocean, there are no towers to prevent the eyes from falling over the Monchique mountain, from the foot to Fóia. Recently, a big pedestrian walk, in an area inaccessible to any vehicle, allows long walks through the quiet corners of the Ria that slowly flows into the ocean. This beautiful place is a rarity in the Algarve where urbanistic chaos prevails, a chaos that not even the Polis Program could disguise. It's there that I make peace with my city that, generally speaking and to my regret I don't find pretty... The Café na Ria, my usual place, offers me Caipirinhas at Summer time and teas in the Winter. It was there that I took Dino's picture, a few days after Christmas.

This young nurse decided to study again and is now on the last year of the International Relations course. He didn't gave up on nursing, a job that he continues to practice, but the fascination with History and Economy, combined with the "taste of knowledge for knowledge", lead him again to college. Reader "since he was a kid, without the incentive of anyone in particular", Dino had with him three books and he was reading them all at the sane time. "I read half a dozen pages of a book and I pick up another. I got used to reading like this, although I know it is not very common. Many people ask me how I do it but it is natural to me", he explained. When I approached him his attention was over "The Origin of Species", by Charles Darwin, an English edition of Oxford World's Classics. He was reading it out of curiosity, like the two other volumes: "As Relações Internacionais Desde 1945" e "Como Sobreviver a Uma Crise".  Apparently, these three titles, read simultaneously by accident, seemed to have nothing in common, but soon Dino realized that among them there was a conducting wire revealing at every page he turned. "Hitler and many other politicians got ideas from the theories of Darwin and the actual economic and politic regime has a lot of Darwinian", he considered.  What about the book of his life? Maybe it is too early to choose. But one he liked "very very very much" was Wealth and Poverty of Nations”.
Translated by Marisa Silva

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Liliana e as imperfeições
Liliana and the imperfections


Embora os livros tenham estado arredados da sua vida durante algum tempo, a Liliana está a fazer um esforço para retomar a leitura com regularidade e o facto de ter voltado a andar de transportes públicos para ir trabalhar está a ajudar. Fotografei-a no metro do Porto apenas um dia depois de ter começado a ler "Não Há Famílias Perfeitas", o livro onde Marta Gautier alerta para os perigos em que incorrem as mães deste mundo ao ambicionarem a perfeição em todas as áreas da sua vida. A Liliana, que foi mãe há pouco tempo, disse-me estar a gostar muito do que lia "principalmente porque ser mãe pode trazer algumas angústias e então é bom saber que há pessoas que sentem exatamente o mesmo que eu".

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Although books have been far from her life for a while, Liliana is making an effort to resume the habit of reading regularly and the fact that she returned to public transportations in order to get to her work place is helping. I took her picture at Porto subway only one day after she started reading "Não Há Famílias Perfeitas", the book where Marta Gautier places an alert to the dangers that the mothers of this world may experience when they search perfection in every area of their life. Liliana, who is a recent mom, told me she is enjoying very much what she was reading "mainly because being a mother might bring some anxieties and it is good to know that there are people feeling exactly the same".
Translated by Marisa Silva

domingo, 29 de dezembro de 2013

Maria & Colecção Vampiro
Maria & Vampiro Collection




Para a Maria ler é entrar num universo diferente, é passar por experiências que de outra forma não viveria, é viajar. Leitora habitual de policiais, livros de aventuras e de literatura de viagem, diz que ainda é cedo para apontar o livro da sua vida, mas recorda que "Os Filhos da Lâmpada", "O Meu Pé de Laranja Lima" e, mais recentemente, "Uma Morte Súbita" a marcaram muito. Quando a conheci no Metro do Porto, a Maria contou-me que este ano descobriu a velhinha Colecção Vampiro do pai e que ficou fascinada não só com a qualidade literária dos livros, mas também com as histórias emocionantes que contam. Foi com um desses livros que a fotografei.


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To Maria, reading is going into a different universe, is going through experiences she wouldn't live any other way, is travelling. A usual reader of detective stories, adventure books and travelling literature, she says it is still early to choose the book of her life, but she remembers that "Children of the Lamp", "My Sweet-Orange Tree" and, recently "The Cuckoo’s Calling" touched her very much. When I met her at Porto subway, Maria told me that this year she found out her father's old Coleção Vampiro and that she was fascinated not only with the book's literary quality but also with the thrilling stories they tell. She was with one of those old books when I took her picture. 
Translated by Marisa Silva

sábado, 21 de dezembro de 2013

Dois, dos, two, deux, zwei, due






O Acordo Fotográfico faz hoje dois anos! Obrigada a todos os leitores e autores que me permitiram fotografá-los, a todos os seguidores que por aqui passam volta e meia, a todos os que me ajudaram a promover e a levar mais longe esta ideia. 2013 foi um ano excelente para o Acordo Fotográfico. Tenho grandes projetos para 2014. ;)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Autor & O Livro - V
The Author & The Book - V



Li apenas três livros de José Eduardo Agualusa. Não sou, portanto, grande conhecedora da sua obra. Mas pude perceber que as viagens são fundamentais para a sua escrita e agradou-me que a conversa do último Porto de Encontro tivesse começado precisamente por aí, pelo gosto de viajar que Agualusa alimenta desde a adolescência. Este gosto, que também eu nutro, é hoje coisa muito comum, porém dá-me prazer imaginar que é assunto só nosso. Inspiro-me nessa fantasia e escrevo. 

O meu primeiro Agualusa foi “Um Estranho em Goa”, numa edição de bolso pela Biblioteca Editores Independentes. Comprei-o uns meses antes de aterrar em Pangim e transformei-o num romance-guia que fui sublinhando, num esforço para destrinçar ficção de realidade e traçar um itinerário. Folheio-o agora, revejo os meus apontamentos — ”preços inacreditavelmente baratos”, “encantadores de serpentes”, “King Fisher”, “Margão”, “Ilha de Divar”, “bebinca”, “Candolim”, “a maneira indiana de dizer sim”, “Velha Goa”, "São Francisco Xavier”, “Forte de Aguada” e “Anjuna” (onde comprei um anel de prata e pedra azul que nunca mais tirei do dedo) — e dou de caras com Plácido Domingo, personagem que reencontrei há pouco tempo em “Milagrário Pessoal”, livro onde se procura a origem de misteriosos neologismos, num périplo que atravessa vários países de língua portuguesa e que eu gostaria de replicar um dia, mas para "caçar" leitores. É o meu romance-premonição. E depois houve também "Teoria Geral do Esquecimento", que tanto me emocionou e que me obrigou a uma viagem bem mais prosaica: a da descoberta do Kindle. Foi o meu primeiro romance-digital. 


Angolano a viver entre Portugal e o Brasil há vários anos, Agualusa veio à Invicta para conversar sobre o seu percurso literário e apresentar o seu último romance — "A Vida no Céu", um livro que se inspira nas luminosas paisagens de nuvens que vê das janelas dos aviões e cujo título lhe surgiu num sonho. "Sonhar faz parte do meu ofício. Sonho o tempo todo. Sonho com o início dos romances e resolvo os romances quando sonho. Sonho, portanto, por razões práticas", disse sorrindo. Autor "caixeiro-viajante" (palavras suas), capaz de escrever em qualquer lugar (cidades várias, aeroportos, aviões), diz que fazê-lo é “expor-se de forma honesta, inteira e com coragem" e afirma que os livros que escreve são os que tem mais medo de escrever. Foi precisamente o que aconteceu com "A Vida no Céu", que se transformou na “possibilidade de fazer algo que nunca tinha feito e que tinha um certo receio de fazer: escrever para um público mais jovem com o objetivo de atrair e formar novos leitores”. Será o meu quarto romance de Agualusa. Um romance-futuro.


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I read only three books by José Eduardo Agualusa. So, I'm not a good connoisseur of his work. But I could see that travels are fundamental for his writing and I was pleased that the talk of the last "Porto de Encontro" started with that subject, with the pleasure of travelling that Agualusa nourishes since he was a teenager. This pleasure, that I also have, is very common nowadays, but it gives me great satisfaction to imagine that this matter is just our own. I inspire myself in that fantasy and I write.

My first Agualusa was “Um Estranho em Goa”, in a pocket size edition from Biblioteca Editores Independentes. I bought it a few months before landing in Pangin and I turned it into a guide-novel which words I underlined in a effort to distinguish fiction from reality and draw an itinerary. Now I flip through it, I revise my notes - "unbelievably cheap prices", "snake charmers", "King Fisher", "Margão", "Divar Island", "bebinca", "Candolim", "the indian way to say yes", "Old Goa", "São Francisco Xavier", "Aguada Fort" and "Anjuna" (where I bought a silver ring with a blue stone that has been in my finger since then) - and I come across with Placido Domingo, character I met once again in “Milagrário Pessoal”, a book where the origin of mysterious Portuguese neologisms are investigated, in a periplus that goes across several countries of Portuguese language and that I would like to duplicate one day, but to “hunt” readers. It is my premonition-novel. And then there also was "Teoria Geral do Esquecimento" that moved me so much and forced me to a more prosaic journey: the discovery of kindle. It was my first digital-novel.

Born in Angola and living between Portugal and Brazil for several years now, Agualusa came to Porto to talk about his literary path and present his latest novel – “A Vida no Céu”, a book inspired in the luminous landscapes of clouds he sees from the airplanes windows and which title came to him in a dream. "Dreaming is part of my trade. I dream all the time. I dream with the beginning of novels and I solve novels when I dream. So, I dream for practical reasons", he said smiling. “Author-travelling-salesman" (his own words), capable of writing anywhere (multiple cities, airports, planes), he says that doing it is to expose himself in a honest way, with all of him and with bravery, and he states that the books he writes are the ones he is more afraid to write. That was exactly what happened with "A Vida no Céu", that turned in to the possibility of doing something he hadn't done before and he had a certain fear of doing: writing for a younger public with the purpose of attracting and forming new readers. This will be my fourth novel of Agualusa. A future-novel.
Translated by Marisa Silva

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Uma leitora, três livros
One reader, three books


Surgiu no Passeio dos Clérigos uma loja pop up que estará aberta ao público até ao próximo dia 23 de dezembro. Passei por lá numa das minhas horas de almoço, durante a semana, e a novidade levou-me a entrar. No interior, vários lojistas expõem principalmente produtos portugueses e o objetivo é, claro, levar os portuenses a comprar por lá os seus presentes de Natal. Foi aí que conheci a Sara, responsável pelo pequeno stand onde se vendem peças de lã com um design muito original. Num momento em que não havia clientes, a Sara decidiu ocupar-se com um livro. "Não sou capaz de estar sem fazer nada, por isso aproveito para ler, que é o que mais me relaxa e dá prazer", afirmou.  Diz, aliás, não compreender como há pessoas que não são capazes de ler e lamenta conhecer gente que nunca leu um livro na vida. Talvez a avidez da Sara compense estes casos; leitora habitual, nunca sai de casa sem livros. Quando conversámos, tinha consigo dois volumes: nas mãos, "O Assassinato de Roger Ackroyd", de Agatha Christie, uma autora que é das suas favoritas dentro do género policial; em cima da mesa, "O Método Simples Para Deixar de Fumar". "Não fumo há três dias", confessou sorrindo. E no carro estava, ainda, um livro com contos de Gabriel Garcia Máquez, o seu autor preferido.

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A pop up store appeared at Passeio dos Clérigos and it will remain open until the next December 23rd. I walked by in one of my lunch hours, during the week, and the novelty lead me to come in. Inside, several storeowners exhibit mainly Portuguese products and the goal is, obviously, to encourage people from Porto to buy there their Christmas presents. There I met Sara, in charge of the small stand where wool pieces with a very original design were sold. At the time there were no customers, so Sara decided to entertain herself with a book. "I cant stand not having something to do, so I take the time to read, which is what relax me the most and also what gives me more pleasure", she stated. She also claims that she doesn't understand how some people are not able to read at all and regrets she knows people who have never read a book in their entire life. Maybe Sara eagerness makes up for these cases; a usual reader, she never leaves home without books. When we talked, she had with her two volumes: in her hand, “The Murder of Roger Ackroid”, from Agatha Christie, one of her favorite authors within the crime style; on the table, "Allen Carr's Easy Way To Stop Smoking". “I haven’t been smoking for three days, now”, she confessed while smiling. And in the car there was also a book of short stories from Gabriel García Márquez, her favorite author.
Translated by Marisa Silva

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Joaquim & Manuel António Pina


Na última greve dos STCP, à falta de autocarros, não tive outra solução a não ser caminhar da Rua da Restauração até à Casa da Música para apanhar o Metro. Se assim não fosse, não teria passado pela entrada da Escola de Música Guilhermina Suggia onde, para lá das portas de vidro e ao abrigo da noite gelada, o Joaquim lia enquanto esperava que terminasse a lição do filho. Manuel António Pina, jornalista e escritor portuense, foi a sua escolha para esse momento de pausa. No livro "Crónica, Saudade da Literatura", o Joaquim  estava basicamente a reler textos que já conhecia, porque para si ler Manuel António Pina é pura diversão. "Gosto muito deste autor, acho piada à forma como escrevia e às críticas que fazia. Mas também sou leitor da sua poesia e compro os seus livros infantis para o meu filho", contou-me. 

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On the last strike of public transports in Porto, due to the lack of buses I had no other way but to walk from Restauração street to Casa da Música so I could catch the subway. If I didn't done like that, I would never walked by the entrance of Guilhermina Suggia Music School where, beyond the glass doors and sheltered from the freezing night, Joaquim read while waiting for his son's lesson to finish. Manuel António Pina, reporter and writter from Porto was his choice for that break time. In the book, “Crónica, Saudade da Literatura”, Joaquim was basically reading chronicles he had read before, because to him reading Manuel António Pina is pure fun. “I really like this author, I found funny the way he wrote and the chronicles he made. But I also read his poetry and I buy his children books for my son”, he told me.
Translated by Marisa Silva

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Renata & Carlos Ruiz Zafón


"Os meus livros preferidos são "Os Maias" e "A Sombra do Vento", mas o que me fez mesmo começar a gostar de ler foi o Harry Potter. Li todos os livros e depois comecei a comprar outros, de outro género". Assim me respondeu a Renata quando lhe perguntei pelos seus livros preferidos e pelos seus hábitos de leitura. Fotografei-a há uns bons meses, em pleno verão, no meu habitual percurso de metro entre o Porto e Matosinhos. Outrora leitora assídua, a Renata lamenta que hoje em dia já não tenha tanto tempo para ler como quando andava no secundário. Desdobra-se entre a faculdade e o trabalho e só mesmo nas férias ou nos percursos em transportes públicos tem disponibilidade para pegar num romance. Deu-se o caso de a conhecer num desses momentos, quando regressava a um autor de quem gosta muito: Carlos Ruiz Zafón. O livro era "O Prisioneiro do Céu".

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"My favourite books are "The Maias" and "The Shadow of the Wind", but what made me start to like reading was Harry Potter. I read all the books and then started buying others, of another kind". That was the answer of Renata when I asked about her favorite books and about her reading habits. I took her picture months ago, in mid summer, at my usual subway ride between Porto and Matosinhos. Once a usual reader, Renata regrets that nowadays she doesn't has so much time to read like when she was in high school. She divides herself between university and work and only on holidays or when she is in public transports she is available to read a novel. I got to meet her in one of those moments, when she was returning to an author she likes a lot: Carlos Ruiz Zafón. The book was "The Prisoner of Heaven".

domingo, 8 de dezembro de 2013

Olga & Danielle Steel


Depois de ter fotografado e conversado com o Victor, segui o meu passeio no Parc de la Ciutadella, em Barcelona, e caminhei na direção de um grupo de músicos à volta dos quais se reunia um grupo de espectadores divertido com a atuação. Vim a saber depois que eram argentinos. Ligeiramente afastada, mas suficientemente perto para desfrutar daquela banda sonora enquanto lia, estava a Olga, estendida sob uma árvore frondosa num recanto relvado do parque. Lia "Calidoscópio", de Danielle Steel, talvez a sua autora favorita. Leitora frequente, a Olga tem preferência por novelas românticas e frisa que o que mais aprecia das muitas histórias de Danielle Steel que leu é o facto de identificar situações que já aconteceram na sua própria vida.  À pergunta sobre qual seria o livro da sua vida, a Olga não soube responder, justificando que de uma forma geral gosta de todos os romances que lê. Mas o seu companheiro, que estava sentado ao seu lado e que não se vê nesta fotografia, não hesitou em dizer-me que o seu autor preferido é o espanhol Javier Marías e que "Corazón Tan Blanco" é provavelmente o livro da sua vida. 


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After I took Victor´s picture and talked to him, I continued to stroll in Parc de la Ciutadella, in Barcelona, and walked towards a group of musicians around which there was a group of viewers enjoying the performance. Later I found out they were Argentines. A bit far away, but close enough to enjoy the sound while reading, was Olga, lying under a leafy tree in a lawn corner of the park. She was reading “Kaleidoscope”, from Danielle Steel, perhaps her favorite author. A usual reader, Olga prefers romantic novels and claims that what she enjoys most in Danielle Steel´s stories is the fact that she relates to facts present in her own life. Olga couldn´t answer the question about the book of her life, because in a general condition she likes every novel she reads. But her partner, sitting right next to her and who can´t be seen in this picture, didn´t hesitate in saying e that his favorite author is the Spanish Javier Marias and that “A Heart So White” probably is the book of his life.
Translated by Marisa Silva

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ana & Carlos Ruiz Zafón


A Ana foi uma das primeiras leitoras que fotografei para a Metro TV depois de formalizar a parceria com o Metro do Porto. Conhecia-a na estação da Casa da Música quando lia "O Palácio da Meia-Noite". Carlos Ruiz Zafón é, aliás, um autor que conhece bem e aponta "A Sombra do Vento" como o livro que mais a marcou. A Ana é leitora habitual, embora admita que é durante as férias que mais lê. Durante o resto do ano aproveita o tempo passado nos transportes públicos para desfrutar dos livros. "Tem de ser!", afirmou com convicção.

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Ana was one of the first readers I photographed to Metro TV after I agreed with the partnership with Metro do Porto. I met her at Casa da Música Station when she was reading "The Midnight Palace". Carlos Ruiz Zafón is an author she knows well and she stands out "The Shadow of the Wind" as the book that most touched her. Ana is a usual reader although she admits that it is during the holidays she reads more. During the rest of the year she takes advantage of the time spent on public transports to enjoy books. "I have to!" she claimed with conviction.
Translated by Marisa Silva

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Fernando, em defesa da poesia portuguesa


Na segunda-feira a seguir à abertura da exposição do Acordo Fotográfico, voltei ao Quintal Bioshop para colar um pequeno cartaz em formato A4 na porta da loja. Foi então que me deparei com o Fernando que dava as últimas garfadas no almoço e se preparava para ler enquanto terminava o copo de vinho tinto e tomava um café. O livro que tinha como companheiro era "Depois da Música", do poeta Luís Quintais, o terceiro volume da coleção de poesia da Tinta da China coordenada por Pedro Mexia. Diz o Fernando que aprecia imenso os livros desta coleção: para além de promoverem bons poetas, considera-os objetos muito bem conseguidos, com boas capas e bom papel. Leitor habitual de poesia, o Fernando afirma gostar muito da obra de Luís Quintais, mas faz questão de mencionar também o poeta Miguel Manso, cujo título "Supremo 16/70" o fascinou. "É uma coisa fabulosa, esse livro! Uma homenagem ao avô. Lindíssimo. Uma das coisas mais maravilhosas que foram publicadas nos últimos tempos", afirma. Mas os elogios deste leitor não se estendem apenas a Miguel Manso e Luís Quintais. No seu entender "temos poetas de primeira grandeza, em qualquer época da nossa História e do mundo" pelo que lamenta que se leia tão pouca poesia em Portugal e que alguns destes livros tenham tiragens que não vão além dos 250 exemplares... "E só lê poesia?", perguntei. Não, o Fernando não lê apenas poesia. Lê também livros de História e muita ficção. "O último romance que li foi "A Infância de Jesus", do Coetzee", esclareceu. "Um livro muito interessante sobre três figuras rebeldes. A rebeldia é lindíssima."

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On the Monday after the opening of the exhibition of Acordo Fotográfico, I went back to Quintal Bioshop to put up a small poster on the store door. Then I saw Fernando who was taking the last bite at his lunch and prepared himself to read while finishing his glass of red wine and drinking a cup of coffee. The book he had as a partner was "Depois da Música", from the Portuguese poet Luís Quintais, the third volume of the poetry collection from Tinta da China editions, coordinated by Pedro Mexia. Fernando says he really likes the books of this collection: besides promoting good poets, he thinks they are very well accomplished objects: with good covers and good paper. A usual reader of poetry, Fernando claims he really likes the work of Luís Quintais, but he makes a point to also mention the poet Miguel Manso, whose title "Supremo 16/70" fascinated him. "That book is a wonderful thing! A tribute to his grandfather. Beautiful. One of the most wonderful things published in recent time", he claims. But the compliments from this reader go beyond Miguel Manso and Luís Quintais. In his point of view "we have first class poets, in any time of our History and in the world" so he regrets that  few poetry is read in Portugal and that some of these books have editions limited to 250 copies... "And you only read poetry?” I asked. No, Fernando doesn´t just read poetry. He also reads History books and a lot of fiction. "The last novel I read was "The Childhood of Jesus”, from Coetzee, he stated. “A very interesting book about three rebellious figures. Rebelliousness is beautiful." 
Translated by Marisa Silva

domingo, 1 de dezembro de 2013

Virgínia e o Reiki


Foi no inicio deste ano que a Virgínia foi desafiada por uma amiga mestre de Reiki a descobrir esta prática espiritual. Consciente de que ainda tem muito para evoluir, a Virgínia não só pratica Reiki todos os dias (nem que seja antes de adormecer) como também tem vindo a complementar os seus conhecimentos com leituras sobre o tema. Fotografei-a no final do mês de outubro, à porta do Porto Stock Fair, uma feira onde se vendiam livros com descontos até 80%. A Virgínia tinha acabado de comprar "Reiki e a Energia da Cura Pelo Amor", um livro que iria completar a sua biblioteca sobre esta prática e que considerou muito interessante por causa das imagens elucidativas que inclui. Leitora habitual, diz ler de tudo um pouco, conforme a sua disposição, sendo capaz, inclusive, de ler vários livros ao mesmo tempo. E o livro da sua vida? A resposta não demorou: "Talvez um dos que mais me marcou tenha sido "A Arte da Simplicidade"", afirmou. Este é um livro que também eu li há cerca de quatro anos e que não me canso de recomendar. Se vos aflige esta sociedade centrada no hiperconsumo e procuram viver de forma mais simples, este é o vosso manual. 

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Early this year Virginia was challenged to discover Reiki by a friend who is a master of this spiritual practice. As she is aware she has a lot to evolve, Virginia not only practices Reiki everyday ( if not sooner, just before going to sleep) she also has been improving her knowledge while reading about the subject. I took her picture at the end of October outside of Oporto Stock Fair, where books were sold with discounts up to 80%. Virginia had just bought “Reiki e a Energia da Cura pelo Amor” a book that would complete her library on this matter and she thought was very interesting because of the elucidative pictures it has. A usual reader, she says she reads a bit of everything, depending on her mood, and she even can read several books at the same time. What about the book of her life? The answer didn't take long: "Maybe one of the more captivating to me was "The Art of Simpincity", she stated. This is a book I also read about four years ago and I don't get tired of promoting it to others. If you are concerned about this society centered in hyperconsumption and seek to live a simpler life, this is your manual.
Translated by Marisa Silva

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Carla & Ana Casaca


Quando entrei na carruagem e vi a Carla a ler, senti borboletas na barriga. E quando me aproximei e lhe expliquei ao que ia, acho que não lhe pedi uma fotografia: implorei. O meu pensamento fixou-se na Ana e na alegria que lhe daria este post. Tinha de fazer a foto! Algo tímida, talvez atordoada pela minha abordagem efusiva na presença de tantos estranhos em hora de ponta, a Carla sorriu-me e disse-me que era curioso que lhe estivesse a fazer aquela proposta: primeiro porque é fotógrafa e raramente se vê na posição de fotografada; depois porque não era a primeira vez que lia "Todas as Palavras de Amor". Contou-me que soube do livro quando foi lançado. Viu a publicidade na televisão e despertou-lhe interesse. Quando, por fim, teve a oportunidade de pegar nele e ler a sinopse, não mais o largou, rendida à história simples, mas muito bonita, sobre os acasos do destino. Alguns meses mais tarde, aborrecida com uma biografia do Dalai Lama, abandonou o livro  e decidiu voltar às páginas do romance de que tanto tinha gostado, para lê-lo, de novo, da capa à contracapa. Dalai Lama 0; Ana Casaca 1. 

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When I entered the carriage and saw Carla reading, I felt butterflies on my stomach. And when I got closer and explained my intentions, I think I didn’t ask for a picture: I begged for one. My thought stopped in Ana and in the joy this post would give her. I had to make the photo! A bit shy, maybe overwhelmed by my effusive approach in the presence of so many strangers in the middle of rush hour, Carla smiled to me and said that my proposal to her was funny: first of all because she is a photographer and rarely is in the position of the one being photographed; then because that wasn’t the first time she read "Todas as Palavras de Amor". She told me she heard about the book when it was launched. She saw the TV advertisement and it caught her eye. When, finally, she had the chance to grab it and read the synopsis, she couldn’t let go, surrendered to the simple, yet pretty story, about the accidents of fate. A few months later, bored with a biography of Dalai Lama, she abandoned that book and decided to return to the pages of the novel she loved so much, to read it once again, cover to cover. Dalai Lama 0; Ana Casaca 1.
Translated by Marisa Silva

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Maurício & Martin Amis


À semelhança de muitos outros passageiros que tenho fotografado, o Maurício aproveita as viagens de metro para ler porque, infelizmente, não tem muito tempo disponível para fazê-lo. "É um bocado triste, mas é verdade", lamenta. Fotografei-o a ler "A Viúva Grávida", um romance do britânico Matin Amis que lhe foi oferecido. Deste mesmo autor, recordou que já tinha lido também "Dinheiro", mas na versão inglesa porque considera muito fracas a maioria das traduções para português.  Maurício salientou, no entanto, que Martin Amis não é um autor que aprecie por aí além. A sua preferência vai, de longe, para Paul Auster e Douglas Copland.
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Like many other passengers whose picture I have taken, Maurício takes advantage of the subway rides to read because, unfortunately, he doesn’t has much free time to do it. “It is a bit sad, but it is true” he regrets. I took his picture reading “The Pregnant Widow”, a novel of the British Matin Amis that was offered to him. From the same author, he remembered he also read “Money”, but on the British version because he considers that most of translations to Portuguese are poor. Maurício stressed, however, that Martin Amis isn’t an author that he enjoys that much. His preference goes, without a shadow of a doubt, to Paul Aster and Douglas Copland.
Translated by Marisa Silva

domingo, 17 de novembro de 2013

Victor, no Parc de la Ciutadella


Vaguear sem destino. Era só isso que queria fazer naquele domingo. E, se possível, fotografar alguns leitores. Tínham-me dito na véspera que não é muito comum ver gente a ler pelas ruas de Barcelona, porque os espaços públicos — jardins, esplanadas, cafés — são ocupados por grupos em busca de convívio, não de leitura. Saí de casa, ainda assim, com a esperança de conseguir conteúdo para o Acordo Fotográfico, mas acima de tudo feliz por rever a cidade onde passei uma semana de férias memorável há 15 anos e à qual nunca mais tinha voltado. Do bairro de Saint Antoni dirigi-me à Plaça de Catalunya e daí desci a Rambla, onde parei sensivelmente a meio para un café con leche y churros con Nutella. Lá em baixo, na Plaça Colom e já com o Mediterrâneo à minha frente, decidi cortar à esquerda e seguir até ao Parc de la Ciutadella. Aí encontrei o esperado para uma manhã de sol radioso: famílias a passear, gente a fazer exercício físico, artistas de rua a entreter quem passava, turistas e... um leitor!

Victor, que é chef, lê regularmente e diz preferir livros de ficção científica. No entanto, encontrei-o a ler algo bem distinto, uma obra particularmente sumarenta para quem exerce a sua profissão — "Confesiones de Un Chef", a biografia de Anthony Bourdin que revela toda a verdade sobre a vida na cozinha e o submundo da restauração. O livro foi-lhe oferecido por uma amiga, também ela chef, e embora tivesse lido muito pouco, Victor deduzia que não ficaria desiludido com o que lhe reservavam as páginas seguintes: sexo, drogas, mau comportamento e grande cozinha. 


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Wander with no destiny. That was all I wanted to do on that Sunday. And, if possible, take photos of some readers. The day before someone told me that it is uncommon to see people reading on the streets of Barcelona, because public spaces – gardens, promenades, coffees – are occupied by groups of people gathering, not reading. I left home, still hoping to find content for Acordo Fotográfico, but above all happy to see once again the city where I spent a memorable week during a holidays 15 years ago and a place I had never come back. From the Saint Antoni neighborhood I headed to the Placa de Catalunya and from there I went down the Rambla, where I stopped for a café con leche y churros con Nutella. Down there, at Placa Colom and with the Mediterranean in front of me, I decided to turn left and go to the Parc de la Ciutadella. There I found what one should expect in a sunny weekend morning: families strolling, people working out, street performers entertaining who walked by, tourists and… a reader!

Victor, who is a chef, reads regularly and says he prefers science fiction books. However, I found him reading something very distinct, a particularly juicy work for those who have his job – “Kitchen Confidential”, the biography of Anthony Bourdain that reveals the entire truth about life in the kitchen and its sub world. The book was offered to him by a friend, also a chef, and although he had read just a few pages, Victor knew he wouldn’t be disappointed with what the following pages had reserved to him: sex, drugs, bad behavior and haute cuisine. 
Translated by Marisa Silva

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Paulo & Dan Brown


É assim todos os anos: quando se dá a mudança para o horário de inverno constato com surpresa que a Rua da Restauração está muito mal iluminada. Passei pelo Paulo pouco depois das 18h, quando saí do trabalho e me dirigia para a paragem do autocarro. Sabia que naquelas condições seria quase impossível fazer uma boa fotografia, mas no fundo eu não queria perder a oportunidade. Foi talvez por isso que, sem parar de caminhar, comentei com a I. que estava alguém a ler dentro do carro estacionado pelo qual tínhamos acabado de passar. Quando ela me respondeu "Então até amanhã!", estava dada a deixa para que eu me decidisse a voltar para trás e fosse bater com os nós dos dedos na janela fechada, que se abriu prontamente.

O Paulo contou-me que em casa, normalmente, não tem tempo para ler. É por isso que tem sempre um livro no carro e aproveita qualquer pausa para pegar nele. Quando conversámos, estava a ler "Inferno", de Dan Brown, um autor de quem tinha lido os livros anteriores e cujo estilo aprecia. "Intercala histórias dentro de histórias e o ritmo evolui rapidamente", disse. Aliás, os policiais e os thrillers são de longe o tipo de livros que o Paulo prefere e destaca Brett Easton Ellis como o autor que mais o fascina. "Psicopata Americano" é o seu livro preferido e "Glamorama" o título que mais o surpreendeu. "São livros completamente diferentes de tudo o resto e que me marcaram muito", afirmou com grande entusiasmo.


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Every year is the same: when the hour changes to the winter time I surprisingly see that Restauração Street is poorly lit. I went by Paulo a bit after six o'clock, when I got off work and headed for the bus stop. I knew that in those conditions it would be nearly impossible to get a good photo, but deep down I wouldn't want to miss the opportunity. Maybe that was why that while continue walking I commented with I. that someone was reading inside the parked car we had just gone by. When she answered me "So see you tomorrow!” she gave me the cue to turn back and knock on the closed window that promptly opened.

Paulo told me that normally, at home, he doesn't have time to read. That is why he always has a book in the car and he uses every break to grab it. When we talked, he was Reading "Inferno", by Dan Brown, an author he had read previous books and whose style he enjoys. "He places stories inside stories and the rhythm evolves quickly", he said. Furthermore the detective stories and thrillers are by far the kind of books Paulo prefers and he mentions Brett Easton Ellis as the author he is more fascinated by. "American Psycho" is his favorite book and "Glamorama" the title that most surprised him. "Those are books totally different from all the rest and that marked me a lot", he claimed enthusiastically. 
Translated by Marisa Silva

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Joana & Charlotte Brontë


A Joana lê de tudo um pouco, mas do que ela gosta mesmo é de livros de época. Pena é que em casa não disponha de tempo para ler, por isso investe cada instante passado no metro a viajar dentro dos livros, o que a ajuda, também, a perder a noção dos minutos que voam entre uma estação e outra. Por dispor apenas desses momentos, os livros duram-lhe muito. Era o caso de "Villette", de Charlotte Brontë, livro que admitiu estar a ler havia já bastante tempo. Bem distinto deste romance oitocentista é "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, uma obra publicada pela primeira vez em 1932 e que Joana considera o livro da sua vida. "Li há muitos anos e mantém-se atual", afirmou.

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Joana reads a bit of everything, but what she really likes is epic books. Too bad that at home she doesn't has time to read, so she invests every moment spent in the subway travelling inside books, which also helps her to lose track of time between stations. Because she only has those brief moments, books last for a long time. That was the case of "Villette", by Charlotte Brontë, a book she has been reading for quite a while, as she admitted. Very different from this eighteenth century novel is "Brave New World", by Aldous Huxley, a work published for the first time in 1932 and that Joana considers the book of her life. "I read it many years ago and it is still a topical subject”, she claimed.
Translated by Marisa Silva

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ricardo, o leitor metódico


O Ricardo acredita que o mercado bolsista pode apresentar rentabilidades superiores a outras formas de poupança por isso, quando o fotografei, estava apostado em aprofundar os seus conhecimento sobre o tema. Com esse propósito, tinha começado a ler "A Bolsa Para Iniciados" cujo autor, Fernando Braga de Matos, é um dos mais respeitados em Portugal no que diz respeito a assuntos da bolsa. Mas para o Ricardo, que mais do que leitor habitual diz ser leitor permanente, o mundo da leitura não se limita ao tema das finanças. Sublinha o seu particular gosto por livros de História e aponta três clássicos da literatura greco-romana — "Ilíada", "Odisseia" e "Eneida" — como um conjunto de obras que elevou o seu gosto pela leitura a outro nível. Já no tocante aos romances diz não ter uma preferência vincada. Na altura em que conversámos, por exemplo, estava a ler a coleção Mil Folhas, do "Público", por ordem numérica, um critério que lhe permite resistir a qualquer preconceito que possa afastá-lo de um romance surpreendente. Este ecletismo não o impediu, ainda assim, de nomear José Saramago como um autor de que gosta muito. 


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Ricardo believes that the stock market can provide more profit than other forms of savings so, when I took his picture, he was willing to enrich his knowledge about the matter. With that in mind, he had started reading "A Bolsa Para Iniciados" whose author, Fernando Braga de Matos, is one of the most respected in Portugal in the stock market area. But to Ricardo, who more than a usual reader says to be a permanent reader, the reading world is not limited to Finances. He stresses his particular taste for History books and points out three classics of the Greco-Roman Literature — "The Iliad", "The Odyssey” and "The Aeneid" – like a piece of works that raised his taste for reading to another level. However, he says he doesn’t have an established preference in what is related to novels. At the time we talked, for instance, he was reading the Mil Folhas Collection (a set of 60 classics edited by “Público” newspaper) by its numerical order, a criteria that allows him to resist at any prejudice that may keep him away from a surprising novel. Still, this eclecticism didn’t stop him from choosing José Saramago like an author he appreciates in particular.
Translated by Marisa Silva

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Exposições do Acordo Fotográfico no Porto

Nos próximos dias inauguram duas exposições do Acordo Fotográfico no Porto. A primeira abre já dia 2 de novembro, às 16h, no âmbito das inaugurações simultâneas do quarteirão Miguel Bombarda. A segunda inaugura dia 4 de novembro e acontece na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, onde tive o prazer de fotografar leitores entre março e abril deste ano. Espero ver-vos por lá! :)

Exposição no Quintal Bioshop
Rua do Rosário 177, 4050-524 Porto
De 2 a 30 de novembro
De segunda a sábado, das 10h às 20h
Entrada livre

Exposição na Biblioteca Municipal Almeida Garrett
Rua D. Manuel II - Jardins do Palácio de Cristal - 4050-239 Porto
De 4 a 30 de novembro
Segunda das 14h às 18h / Terça a Sábado das 10h às 18h
Entrada livre