sexta-feira, 11 de abril de 2014

Rio de Janeiro - Fabiana num casamento blindado
Rio de Janeiro - Fabiana in a shielded marriage


Do pátio e das janelas da casa onde fiquei alojada no Rio de Janeiro via-se o Corcovado. Por isso era possível avaliar, logo pela manhã, se o dia estaria bom para visitar o Cristo Redentor. Sempre que a estátua amanhecia envolta em nuvens, a subida ficava adiada para o dia seguinte. Chegar lá acima e não desfrutar de uma das mais belas vistas do mundo seria lamentável. Na manhã em que fiz esta fotografia, o céu estava de novo coberto por nuvens densas o que me levou a optar pela visita ao Real Gabinete Português de Leitura. O Cristo teria de esperar. Ao entrar no autocarro que me levaria até ao centro do Rio de Janeiro, fui sentar-me ao lado da Fabiana que lia "Casamento Blindado - O Seu Casamento à Prova de Divórcio", um livro onde o casal de autores, Renato e Cristiane, defende que é possível ter um relacionamente feliz e duradouro. "Há mais de um ano que queria comprar esse livro, que toda a gente diz que é muito bom", contou-me. "No domingo passado consegui comprá-lo na igreja que frequento. Comecei a ler agora, mas só pela introdução já vi que é uma boa ferramenta para ajudar no casamento". Questionada sobre os seus hábitos de leitura, esta carioca admitiu que não lê com muita frequência, com excepção da Bíblia, o seu livro de eleição, e de outros livros da igreja, nomeadamente um pequeno volume que trazia consigo na bolsa e cujo aspecto denunciava o muito uso: "O Poder da Mulher Que Ora". "Leio e releio. Tem sido uma armadura para a minha vida. Gosto de ter ele sempre comigo. Não comprei quando tinha problemas. Comprei para não ter problemas", esclareceu. Como sempre faço, agradeci-lhe imenso ter-me permitido que a fotografasse, despedi-me, arrumei a câmara e o bloco de notas. Foi então que o céu abriu de repente e da janela à minha esquerda vi aparecer o Cristo em todo o seu esplendor. Parecia que as nuvens iam dar tréguas por umas boas horas. Num impulso, saltei do autocarro e apanhei um outro para o Cosme Velho, lugar de onde sai o bondinho que todo o santo dia leva milhares de turistas ao topo do Corcovado e ao encontro do Redentor. Afinal, o Real Gabinete Português de Leitura é que teve de esperar.

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From the patio and windows of the house where I was staying in Rio de Janeiro one can see the Corcovado. So it was possible to assess, first thing in the morning, if the day would be good to visit the Cristo Redentor. Every time the statue dawned wrapped in clouds, the climb was postponed to the following day. It would be regrettable to arrive up there and don't enjoy one the most beautiful views in the world. In the morning I took this picture, the sky was once more covered by thick clouds which lead me to choose to by visit to the Royal Portuguese Cabinet of Reading. The Christ would have to wait. After entering the bus that would take me to downtown Rio de Janeiro, I sat next to Fabiana who was reading "Casamento Blindado - O Seu Casamento à Prova de Divórcio (free translation to English: Shielded Wedding - Your Divorceproof Marriage”), a book where the authors, Renato and Christiane, endorses that it is possible to have a happy long-lasting relationship. "I've been wanting to buy this book for over a year, everybody says it is really good", she told me. "Last Sunday I managed to buy it at the Church I attend. I just started reading, but by the introduction alone I could tell it is a good tool to help in marriage". Questioned about her reading habits, this Carioca* admitted she doesn't reads very often, except for the Bible, her book of election, and other Church books, namely a small volume she had in her purse and whose appearance gives away his wide use: “O Poder da Mulher que Ora” (“The Power of the Woman Who Prays”). “I read it again and again. It has been a kind of armor for my life. I like to have it always with me. I didn't buy it when I was in trouble. I bought it to avoid problems" she clarified. As I always do, I thanked her a lot for allowing me to take her picture, I said goodbye, packed the camera and the notebook. It was then that the sky opened up all of the sudden and from the window at my left I saw the Christ appearing in his entire splendor. It seemed that the clouds would concede truce for a few hours. On a drift, I jumped off the bus and caught another to Cosme Velho, the place where the bondinho** leaves every day carrying thousand of tourists to the top of Corcovado and to the encounter of the Redentor. After all, the Royal Portuguese Cabinet of Reading would have to wait.

* a Rio de Janeiro local
**small tram

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Rio de Janeiro - Carlos & The Rolling Stones


No primeiro dia em que fui o centro do Rio de Janeiro tinha a Livraria da Travessa, na Rua Sete de Setembro, como referência. Foi por aí que comecei o meu passeio. Depois fui almoçar à Confeitaria Colombo de onde segui para a Catedral de São Sebastião e, posteriormente, para o Palácio Gustavo Capanema. Entre cada local fui caminhando devagar pelas avenidas da cidade, cheias de gente, cheias de carros, cheias de ónibus barulhentos. Parei nalgumas montras, apreciei edifícios, deambulei por entre os camelôs, observei o jeito de quem passava. E quando já o sol se punha e estava na hora de pensar no regresso à Gávea, onde estava alojada, decidi ir localizar o Real Gabinete Português de Leitura, que tencionava visitar no dia seguinte. Foi nesse trajecto pela Rua Luís de Camões que passei em frente à Letra Viva, uma livraria que é também alfarrabista (ou sebo, no português do Brasil) e onde funciona o Café Olé. De fora o espaço amplo pareceu-me muito bonito e depois de entrar descobri-lhe os toques extravagantes conferidos pelo mobiliário antigo, loiças, porcelanas e todo o género de quinquilharia inusitada. Foi nesta livraria fora do comum que conheci o Carlos, que folheava um álbum de fotografias. Vim a saber depois que o livro, com o título "The Early Stones 1963-1973", recolhia imagens capturadas nos primeiros anos da carreira da banda de Mick Jagger e que o Carlos procurava nesses registos inspiração para o seu trabalho. "Concebo padrões para estamparia e desenvolvo colecções. Neste momento estou a trabalhar numa colecção baseada no rock dos anos 50 e 60. Esta deve ser a quarta livraria em que entro hoje, olhando tudo", explicou-me.

Mais fotografias deste leitor e desta livraria aqui

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On the first day I went to downtown Rio de Janeiro, I had as a reference the bookstore Livraria da Travessa, on Sete de Setembro Street. It was there that I started my walk. Then I had lunch at Colombo Pastry from where I headed to the São Sebastião Cathedral and, later, to the Gustavo Capanema Palace. Between each location I walked slowly through the crowded city avenues, full of cars, full of noisy buses. I stopped at some store windows, appreciated buildings, wandered through the street sellers, and watched the way of the people passing by. And when the sun was setting, when it was time to think about returning to Gavea, where I was staying, I decided to find the Royal Portuguese Cabinet of Reading, which I intended to visit the following day. It was in that path through Luís de Camões street that I walked by Letra Viva, a bookstore that also sells second hand books and where there is a coffee shop called Olé Coffee. Looking from the outside the broad space seemed very nice and after I went in I found his exquisite traces given by antique furniture, china and all sorts of unusual bric-a-brac. It was in this unusual bookstore that I met Carlos, who was flipping trough a photo album. Later I understood that the book, entitled "The Early Stones 1963-1973", gathered pictures taken in the first years of Mick Jagger's band and that Carlos was looking for some inspiration on those images. "I design patterns for stamping and I develop collections. At the moment I'm working on a collection based on the 50's and the 60's rock & roll. This must be the fourth bookstore I go in today, looking into every book", he explained to me.

More pictures of this reader and the bookstore, here.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Rio de Janeiro - Diana & Alessandro Baricco


A viagem de Brasília para o Rio de Janeiro poderia ter sido feita de avião. Mas decidi ir de autocarro. Queria viver essa experiência de atravessar parte do Brasil num bus Marcopolo. E assim, transformei aquilo que seria uma viagem insípida entre dois aeroportos numa odisseia rica em pormenores que demorou 24 horas desde que saí da casa do meu anfitrião na capital até chegar à casa da minha anfitriã carioca. Fizemos o trajecto sem qualquer problema. Vimos paisagens magníficas enquanto foi dia, parámos no meio do nada para comer, espreitei um céu estrelado límpido (impossível de apreciar nas grandes cidades iluminadas) sempre que acordava do meu sono intermitente. Por volta das sete da manhã, quando já estávamos a entrar no Rio de Janeiro, o motorista decidiu que todos os passageiros deviam despertar ao som  da Rádio Tupi, uma emissora popular, de pendor católico e noticiário sensacionalista que transformou a nossa chegada à cidade maravilhosa numa descida aos infernos: o som altíssimo, os locutores aos berros, o relato dos engarrafamentos e dos acidentes rodoviários, o bairro que amanheceu com um corpo carbonizado numa esquina, os dois transeuntes que foram executados com tiros na cabeça por indivíduos que passaram de mota, os ataques violentos às Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas (perdão, nas "comunidades pacificadas", que isto de dizer "favela" não é politicamente correto…) foram a nossa comitiva de boas vindas. E alguns minutos depois chega ainda a notícia, por intermédio dum passageiro, que os autocarros que saíram de Brasília ao início da noite para fazer o mesmo trajecto tinham sido abordados por grupos de bandidos e assaltados. Perante este cenário quase apocalíptico, de nada me serviu que os elementos do programa da manhã da Rádio Tupi tivessem rezado em coro um sonoro Pai Nosso. Achei que nesta cidade não haveria nunca protecção divina suficiente e uma das decisões que tomei de imediato foi que a vistosa câmara com que fotografo habitualmente ficaria trancada em casa não fosse o diabo tecê-las. Por isso tive por companheira a pequena Sony, dona de algumas imitações, o que se notará nos próximos posts. Curiosamente, o primeiro dia que passei no Rio, um sábado, teve contornos bucólicos que permitiram esquecer o cenário de guerra civil descrito por certos órgãos de comunicação social. Estive toda a manhã no belíssimo Jardim Botânico, a tarde no Instituto Moreira Sales e ao fim do dia na praia do Leblon. Foi nesse trajecto para a praia que passei junto à Livraria Argumento, na Rua Dias Ferreira, que tem em frente às vitrinas dois bancos que convidam os clientes a sentar-se e a começar a ler de imediato os livros que acabaram de comprar. Foi o que fez a Diana, uma argentina que vive na cidade há trinta anos. "Adoro o Rio de Janeiro", disse-me no seu português com sotaque "porteño". Tinha ido à livraria para trocar um livro que lhe ofereceram e que já tinha lido: "Madrugada Suja", de Miguel Sousa Tavares. Trouxe, como alternativa, o romance "Mr. Gwyn" de Alessandro Baricco, um autor de quem gosta muito e de quem não lia nada há muito tempo. Os seus romances "Seda" e "Novecentos" foram-me recomendados com grandes entusiasmo. "E que significa, para si, ler?", perguntei. "Adoro ler. A leitura é uma grande companhia. E é uma forma de aprofundarmos tudo: nós, o mundo, a vida", respondeu. 

Mais fotos desta leitora aqui e fotos da Livraria Argumento aqui.

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The trip from Brasília to Rio de Janeiro could have been done by plane. But I decided to take the bus. I wanted to live that experience of going across part of Brazil on a Marcopolo bus. And so, I turned what would be a uninspired travel between two airports into an odyssey rich in details that took 24 hours, since the time I left my host house at the capital until I arrive to my host house in Rio de Janeiro. There were no incidents during the trip. We saw magnificent landscape during the day, stopped in the middle of nowhere to eat, looked at the clean starring sky (impossible to enjoy in the big lighted up cities) every time I woke up from my intermittent sleep. Around seven in the morning, when we were entering Rio de Janeiro, the driver decided to wake all the passengers with the sound of Radio Tupi, a popular radio station, mainly catholic and with sensationalist news that turned our arrival at the wonderful city on a path to hell: the sound really loud, reporters screaming, accounts of traffic and of road accidents, of a neighborhood that woke up with a burned body at the corner of a street, the two passersby executed with shots in their heads by individuals on a motorcycle, the violent attacks to the Pacifier Police Force at the slums (sorry, at the "pacified communities", because saying "slum" isn't politically correct...) were our welcoming committee. And a few minutes after yet comes the news, given by a passenger, that the bus that left Brasília in the beginning of the night to do the same path as ours had been approached by a group of bandits and had been stolen. Faced with this almost apocalyptic scenario, the fact that the elements of the morning show from Radio Tupi prayed in choir and out loud an Our Father didin’t do much for me. I thought that in this city there would never be enough heavenly protection and one of the decisions I immediately took was to lock in the house the flashy camera I usually photograph with in case the devil would remember to play me a trick. So my companion was the small Sony, owner of some limitations obvious on the pictures of the next posts... Curiously, the first day I spent in Rio, a Saturday, had bucolic edges that allowed forgetting the civil war scenario described by certain media. I spent all morning at the beautiful Botanic Garden, the afternoon at Moreira Sales Institute and at the end of the day at Leblon beach. It was on that way to the beach that I passed by Argumento bookstore, on Dias Ferreira Street, which has in front of the windows two benches that invite the customers to sit down and immediately start reading the newly bought books. That was what Diana did, an Argentine living in Rio de Janeiro for thirty years. "I love Rio de Janeiro" she said in her Portuguese with a "porteño" accent. She had gone to the bookstore to exchange a book offered to her and that she had read before: "Madrugada Suja" by Miguel Sousa Tavares. She brought, as an alternative, the novel "Mr. Gwyn" by Alessandro Baricco, an author she cares about and she hadn't read in a long time. His romances "Silk" and "Novocente" were recommended to me with great enthusiasm. "And to you what does reading mean?" I asked. “I love to read. Reading is a great companion. And it is a way to deepen everything: us, the world, life", she answered.

More photos of Diana here and photos of the Argumento bookstore here.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Brasília - Pedro Henrique & George R. R. Martin


Um dos grandes defeitos que os brasileiros apontam à Capital Federal (sobretudo os que não vivem lá!) é a sua enorme extensão (5,800 quilómetros quadrados) o que combinado com a rede de transportes públicos ineficiente, faz com que grande parte dos 2.790 milhões de habitantes optem por ter carro próprio e vivam presos em engarrafamentos. E eu, que já visitei as quatro maiores cidades do país na altura em que escrevo este post — São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador da Bahia e Brasília — acho muita piada a estas críticas porque o que sei agora é que este problema está longe de ser um exclusivo de Brasília... A minha experiência na cidade não foi de todo traumatizante no que diz respeito aos transportes. Diria até que foi o local onde menos perdi tempo no trânsito. De manhã tinha a vantagem de aproveitar a boleia do meu anfitrião para o centro e ao fim do dia dirigia-me ao gigantesco Terminal Rodoviário para apanhar o autocarro de regresso a casa. A viagem, feita por corredores exclusivos que garantem a fluidez do tráfego, durava pouco mais de meia hora. Este terminal, que foi inaugurado em setembro de 1960, é o marco zero de Brasília e fica no ponto onde se cruzam os seus dois principais eixos rodoviários. Estatísticas de 2012 indicam que o local é frequentado por cerca de 700 mil pessoas por dia. Conseguem imaginar o frenesim? Há gente que se desloca em todas as direções e cruza as filas que se formam para entrar nos autocarros. Há vendedores ambulantes que comercializam gadgets, brinquedos, frutas, doces e uma infinidade de outros produtos. Há bancas de jornais e revistas. Há pedintes e gente que dorme sob os viadutos. Nesse lugar, cujo caos foi adensado graças às obras a que está a ser sujeito por causa do mundial de futebol, passei pelo Pedro Henrique, que lia "A Guerra dos Tronos" e parecia alheio a tudo. Este jovem estudante universitário tinha acabado de ler os livros de Harry Potter havia pouco tempo e estava à procura de um novo livro que o prendesse profundamente e o ajudasse a passar pelas duas horas diárias que investe nos transportes públicos. "São seis a sete viagens todos os dias entre a faculdade, o trabalho, o ginásio e o regresso a casa", explicou-me. Uma vez que tinha gostado muito da série que viu na TV, decidiu avançar para a leitura da saga de George R. R. Martin e não estava nada arrependido. Esta história passada na época medieval estava a deliciá-lo.

Vejam mais fotografias deste leitor aqui.

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One of the great defects that Brazilians see in the Federal Capital (mainly the ones that don't live there!) is his big length (5,800 square kilometers) which together with the inefficient public transportation network, makes the majority of 2.790 millions inhabitants choose to have a car of their own and live caught in traffic jams. And I, who already visited the four biggest cities of the country by the time I write this post - São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador da Bahia and Brasilia - think that this criticism is very because what I know now is that this problem is far from being an exclusive of Brasilia... My experience in the city wasn't traumatizing at all in what transportation is concerned. I would say it was the place where I lost less time in traffic. In the morning I had the advantage of catching a ride with my host to downtown and at the end of the day I would go to the gigantic transport terminal to catch the bus back home. The journey, made trough exclusive corridors that ensure traffic to flow, lasted not long that half an hour. This terminal, opened in September 1960, is the ground zero of Brasilia and is located at the spot where two of the city main roads cross each other. 2012 statistics show 700 thousand people a day attend the place. Can you imagine the frenzy? People headed in all directions and crossing the forming lines to get in the bus. There are street sellers that market gadgets, toys, fruit, candies and numerous other products. There are newsstands. There are beggars and people who sleep under the overpass. In that place, which chaos was increased due to renovation works for the World Football Championship, I passed by Pedro Henrique, who was reading “A Game of Thrones” and seemed oblivious to everything. This young college student had finished reading not long ago the Harry Potter books and was looking for a new book that could absorb him deeply and help him through the two daily hours of public transport. "There are six to seven journeys everyday between college, work, gym and going back home”, he explained me. Once he enjoyed very much the TV show, he decided to read the George R. R. Martin saga and he wasn't regretting it. This story of the medieval times was making his delight. 

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Brasília - Alexandre & Bernard Cornwell


Há já muitos anos que queria visitar Brasília e lembro-me perfeitamente do momento em que essa vontade surgiu. Foi em 1999, quando vivi no Uruguai e tive a sorte de encontrar em Montevideo um álbum belíssimo a preço de saldo que, para assinalar os quinhentos anos da chegada de Cristóvão Colombo à América, recolhia fotografias de diferentes locais em todos os países iberoamericanos, Portugal incluído. Aí, nas páginas desse livro, deslumbrei-me com o trabalho de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e retive-me particularmente nas imagens da magnífica Catedral Metropolitana de Brasília. Conhecê-la tornou-se uma ideia fixa, um sonho que tive a oportunidade de concretizar há poucos dias. Agora sim, posso dizer que conheço as três capitais do Brasil: Salvador da Bahia (a primeira), Rio de Janeiro (a segunda) e Brasília (a atual). Curiosamente, sempre que partilhei este meu desejo com amigos ou conhecidos brasileiros todos reagiam com surpresa: "E porque é que você quer ir a Brasília?!" Diziam-me que a cidade era monótona, apenas uma grande avenida com prédios iguais à esquerda e à direita e sem nada de especial para ver. No meu entender, nada de mais errado! Ainda bem que persisti de forma obstinada no meu ojetivo: adorei esta cidade diáfana, que a UNESCO classificou como Património Mundial devido ao seu conjunto arquitetónico e urbanístico. Mais: nunca me tinha divertido e emocionado tanto a fotografar arquitetura. Nos quatro dias que lá estive não me cansei de percorrer o Eixo Monumental, que subi e desci várias vezes, demorando-me na apreciação e visita dos seus edifícios mais icónicos: o Congresso Nacional, o Panteão da Pátria Tancredo Neves, a Pira da Liberdade, o Palácio da Justiça, o Palácio do Planalto, o Palácio de Itamaraty, o Supremo Tribunal Federal, o Museu Nacional, a Catedral Metropolitana e, claro está, a Biblioteca Nacional que foi aberta ao público apenas em 2008. Foi aí, no interior desse edifício que pedi ao Alexandre para fotografá-lo enquanto lia "O Forte", de Bernard Cornwell, o autor de que ele mais gosta. Pouco antes de tê-lo abordado, estava a estudar, mas decidiu pegar neste romance histórico para relaxar um pouco. Leitor habitual de todo o tipo de livros, para o Alexandre ler é a diversão máxima. "Fico em casa a ler o fim de semana todo, sem necessidade de sair", disse. Quanto aos livros que mais o marcaram até hoje, foram "Os Pilares da Terra", de Ken Follett, e "A Ditadura Escancarada", do jornalista Elio Gaspari. 

Fotografias da Biblioteca Nacional de Brasília aqui.