quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Um livro ao almoço (100º post)


Foi na esplanada da Leitaria do Paço, na baixa do Porto, que encontrei a Filipa a almoçar e a ler. O livro pousado em cima da mesa era "A Revolta", o terceiro e último volume da saga "Os Jogos da Fome". À semelhança do que tinha acontecido com a Maria João, que fotografei há uns meses, também a Filipa decidiu ler o resto da saga depois de ter visto a adaptação ao cinema do primeiro volume. No seu entender "A Revolta" é ótimo para acompanhar o almoço, uma vez que a sua leitura é muito fácil e acessível.  

Com esta leitora sorridente registo no Acordo Fotográfico o 100º post. A todos os que aceitaram ser fotografados, o meu muito obrigada pela sua generosidade. Sem eles este projeto não existiria. E a todos os que seguem o blogue agradeço as suas visitas. Se em dezembro do ano passado o Acordo Fotográfico começou de forma um tanto egoísta porque precisava de algo que me ajudasse a encarar um ano potencialmente difícil, hoje é cada vez mais para vocês que fotografo e escrevo. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A caminho de Guimarães


Sempre gostei muito de ir passear até Guimarães e este ano há mais uma razão para passar por lá: a cidade é Capital Europeia da Cultura. Estando aqui tão perto, não poderia deixar de revisitá-la numa ocasião tão especial. Embora já conhecesse os seus monumentos mais emblemáticos, ainda não tinha tido a oportunidade de ver o seu centro histórico completamente renovado. Para além disso, sentia uma grande curiosidade pelo recém-inaugurado Centro Internacional das Artes José de Guimarães, que não gorou as minhas expectativas: o edifício é muito bonito e a coleção de arte, muito interessante. A par de tudo isto, o ambiente que se vive na cidade é incrível. As manifestações artísticas vão acontecendo um pouco por toda a parte e os turistas vindos dos mais variados países conferem à cidade um tom cosmopolita. Achei Guimarães mais jovem, mais alegre, mais solta e mais sofisticada! 

Foi no comboio que me levou até Guimarães que o Artur se sentou à minha frente e puxou de um livro, cuja leitura o entreteve durante a viagem. A obra em causa era "Inês Vai Morrer", um romance da autora italiana Renata Viganó. Este livro, que integra a coleção Biblioteca Avante!, relata a luta dos partigiani italianos contra o fascismo e a ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Baseado em facto verídicos, bastante dramático e muito bem escrito foram os três aspetos do romance que o Artur salientou tendo rematado, depois, que estava a gostar muito da sua leitura.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Helena e a moral da história


Uma das coisas boas a que o Acordo Fotográfico me obriga é o aprofundar da minha cultura geral. Volta e meia abordo alguém a ler um autor ou um livro que desconhecia e sou levada a fazer uma pequena investigação para poder escrever o post. Hoje, por exemplo, fui descobrir mais sobre Esopo, o fabulista da antiga Grécia sobre quem se sabe tão pouco que há quem defenda que nunca existiu. De acordo com a informação que chegou até nós, Esopo terá vivido entre os séculos VII e VI a. C, foi escravo, viajou pelo Egito, pela Babilónia e pelo Oriente e terá sido condenado à morte por roubo. Era feio, corcunda, gago, mas muito inteligente. Tinha o dom da palavra e uma grande habilidade para contar histórias simples em que os protagonistas eram animais e nas quais havia sempre ensinamentos profundos. Põe-se a hipótese, por isso, de ter sido o inventor da "moral da história". A mais antiga coletânea de fábulas atribuída a Esopo data do século IV a. C. e eram esses textos que a Helena estava a reler quando me aproximei para lhe pedir que me deixasse fotografá-la.

A Helena é formada em Filosofia e gosta muito de ler todas as obras que a levem a refletir. Daí apreciar tanto as "Fábulas de Esopo" que, graças à moral que encerram, ensinam lições importantíssimas. E a Helena sublinha que essas lições não se aplicam apenas aos outros. São lições que também a atingem porque, passo a citá-la, "defeitos toda a gente tem. É bom refletir sobre o que temos a mudar em nós. Gostamos de apontar erros nos outros, mas nós também temos de mudar."

domingo, 19 de agosto de 2012

Diana e a Economia


A Diana é de Leiria mas vive no Porto, onde estuda, e é por causa dos estudos que diz não ter oportunidade de ler tanto quanto gostaria. No entanto, quando chegam as férias de verão, a Diana aproveita o tempo livre para recuperar as leituras adiadas. Na tarde em que a fotografei estava a ler "O Economista Disfarçado" um livro que explica ao leitor comum os mecanismos essenciais da economia recorrendo a exemplos do dia-a-dia. O livro foi-lhe recomendado e emprestado por um amigo no seguimento de uma outra leitura que a Diana tinha feito anteriormente — "Verdade, Humildade e Solidariedade - O método dos executivos do futuro" — e que tinha apreciado muito. E porquê dois livros seguidos sobre economia? Simplesmente para entendê-la melhor. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Samba na Cordoaria


À medida que me aproximei do Samba, comecei a ouvir música. Não me recordo exatamente que música era, mas sei que era portuguesa. Enquanto conversamos não consegui perceber onde estava o rádio. Talvez guardado num bolso interior do casaco, o que resultava num efeito curioso porque era como se a música emanasse do próprio Samba. E isto de andar por aí um homem chamado Samba a emanar música pareceu-me acertado, natural e até poético.

O Samba é guineense e veio para Portugal estudar medicina. O curso está parado, mas o hábito de ler livros sobre o assunto mantém-se. Daí ser frequentador habitual da Biblioteca Municipal do Porto onde requisita muitas obras. Para prová-lo abriu a carteira, mostrou-me os muitos talões que vai acumulando e afirmou: "Gosto muito de ler". Naquele início de tarde, no entanto, não lia sobre medicina, mas sim sobre a história da sua Guiné-Bissau. Ao requisitar na biblioteca um dos volumes de "A História da Guiné", o Samba pretendia não só aprender mais sobre o seu país, mas também perceber o que andaram os portugueses a fazer por lá durante tanto tempo. E sem se ter adiantado muito na leitura, uma coisa o Samba já sabia: os portugueses andaram por lá "a sofrer muito. A sofrer e a morrer." 

domingo, 12 de agosto de 2012

Quanto tempo dura o amor?


Publicado em 1997, o romance "L'amour dure trois ans" foi um sucesso editorial em França. Frédéric Beigbeder, autor do livro, escreveu-o quando o seu casamento de três anos chegou ao fim. Amargurado, decidiu pegar no seu caso e extrapolá-lo, numa tentativa de provar que o amor dura apenas três anos para toda a gente. E fê-lo de uma forma tão provocadora, que estalou a polémica e chegou a ser acusado de misoginia. Volvidos quinze anos, Frédéric Beigbeder decidiu estrear-se na realização de uma longa metragem e adaptou o seu romance autobiográfico ao grande ecrã. Após o sucesso nas livrarias, esta espécie de manifesto contra o amor conquistou as salas de cinema.

"L'amour dure trois ans" era o romance que a Laure estava a ler quando a encontrei no Porto. Esta francesa de Lille veio passar uma semana de férias à Invicta e aproveitou o tempo livre para ler o romance que esteve na origem do filme que também ela tinha ido ver ao cinema.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Uma foto que quase não o foi


Eu sabia que andava a abusar... Ia para quinze dias que não carregava a bateria. E a câmara a avisar que a energia era pouca. E eu a achar que daria para mais um dia, para pelo menos mais uma foto. A lição poderia ter acontecido no momento em que me apetecesse fotografar outra coisa que não fosse alguém a ler. Mas isso não seria uma lição, pois não? Por isso fiquei sem bateria no preciso momento em que carreguei no botão para fotografar o Henrique. Frustrada, prometi a mim mesma que isto não voltaria a acontecer e carreguei as duas baterias de que disponho assim que cheguei a casa. Mas quando voltei a ligar a câmara percebi que, afinal, a minha preciosa Canon não me tinha deixado ficar mal. Sorte do caneco!

Encontrei o Henrique nos jardins do Palácio de Cristal, a ler a biografia de Steve Jobs (o mesmo livro que o Carsten lia em inglês, há uns meses, na Ribeira do Porto). Contou-me que lê sobretudo com o intuito de aprender e que, por isso, não tem o hábito de ler ficção. A biografia do magnata da informática seduziu-o por retratar uma pessoa que considera inspiradora e cuja história de vida é engraçada.

Este encontro entre o Acordo Fotográfico e o Henrique foi registado pelo meu bom amigo F. que (nem  a propósito!) usou o seu iPhone para o efeito. Podem ver a foto aqui.

domingo, 5 de agosto de 2012

O Animal Social


Sentada à mesma mesa onde fotografei a Fátima há uns meses, encontrei, desta vez, a Inês  a ler "The Social Animal", uma obra de David Brooks que defende que o sucesso e a realização pessoal se devem em grande parte a qualidades individuais difíceis de medir ou quantificar. A Inês gosta de livros, mas gosta sobretudo de livrarias e da experiência de comprar livros numa boa livraria, porque comprá-los num hipermercado não sabe a nada. Este livro em particular foi adquirido na Blackwell's de Oxford, um pouco por acaso. Atraída por uma promoção que lhe permitia levar três livros pelo preço de dois, a Inês deixou-se convencer por uma crítica do Economist que estava impressa na capa. E embora não tivesse qualquer referência sobre "The Social Animal", a obra acabou por agradar-lhe e ir de encontro ao seu interesse pela Psicologia. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

José & Asimov


Há já uns três ou quatro anos que deixei de levar o carro para o Algarve. A despesa é muita e conduzir tantas horas é monótono e cansativo. Rendi-me, desde então, aos encantos do Alfa Pendular que liga diretamente o Porto a Faro. A viagem dura pouco mais de cinco horas e é com prazer que relaxo, desfruto do conforto da carruagem e aproveito a maior parte do tempo para ler. Neste último regresso a casa, conheci o José que vinha, também ele, agarrado a um livro. Leitor habitual de ficção científica, o José diz interessar-se sobretudo pelas ideias e teorias que os autores deste género literário desenvolvem. Arthur C. Clarke e Isaac Asimov são os seus escritores de eleição e era precisamente um livro deste último que estava a reler porque, passados dez anos sobre a primeira leitura, havia pormenores de "Prelúdio à Fundação" que queria relembrar.