domingo, 30 de dezembro de 2012

A Cláudia & O Cérebro


Todos os primeiros domingos de cada mês o Mercado Ferreira Borges (atual Hard Club) acolhe, desde abril, um Mercado Biológico onde se vendem produtos variados, provam-se alimentos e se pode assistir a palestras sobre o tema. Naquele domingo, entrei no edifício sem saber ao que ia. Na verdade andava com uma amiga à procura de um local para almoçar, num périplo que tinha começado junto à Praça dos Leões, mas depressa me distraí com a feira, que foi uma surpresa, e com a visão de uma leitora sentada numa das bancas mais próximas da entrada.

Naquela feira de produtos biológicos, a Cláudia representava a marca Organii, uma linha de cosmética biológica certificada. À hora do almoço, por haver menos clientela, aproveitava para se entreter com "O Hobbit", de Tolkien. O livro fora-lhe emprestado naquele dia por uma colega e era uma leitura que fazia por acaso, já que o seu livro — "O Homem Que Confundiu a Mulher Com Um Chapéu" — tinha ficado esquecido em casa. A Cláudia, que diz não ler tanto quanto gostaria, sente um grande fascínio sobre tudo o que tem a ver com o cérebro, os seus mecanismos e os seus mistérios, daí estar a ler o livro de Oliver Sacks, onde o psicólogo relata casos clínicos de pacientes seus. Antes deste ensaio tinha lido, também, "A Alma Está no Cérebro", de Eduardo Punset, um livro que ajuda a descortinar alguns dos grandes segredos do cérebro. 

Naquela tarde acabei por almoçar numa esplanada junto ao Douro, mas uns dias mais tarde o acaso levou-me de novo ao Mercado Ferreira Borges onde jantei na cervejaria O Mercado, que a Cláudia me tinha recomendado depois de terminada a nossa conversa sobre livros. Deixo-vos aqui a dica: o espaço é amplo e bem decorado, os petiscos são deliciosos, o atendimento solicito e o preço em conta. Eu tenciono voltar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Maria & Murakami


Mais uma leitora no 507! Desta vez conheci a Maria, que lia o 1.º volume de "1Q84", de Haruki Murakami. O primeiro romance deste autor que leu — "Em Busca do Carneiro Selvagem" — foi-lhe oferecido e gostou tanto que quis ler outras obras suas. De Murakami, diz gostar particularmente das histórias muito loucas, muito diferentes do habitual.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

Racional vs. Emocional


Numa hora de almoço de temperaturas amenas encontrei, na baixa do Porto, a Sara. Por ser socióloga de formação e, também, por ter interesse pela área do Direito, que pretende vir a estudar, a Sara lia com atenção o livro "Visitas ao Poder", de Maria Filomena Mónica, onde a autora, também ela socióloga, traça um quadro do sistema político e judicial português. No entanto, a Sara fez questão de salientar que este não era o único livro que estava a ler. Numa tentativa de "trabalhar mais o lado emocional", relia um romance de que gostou muito quando o leu pela primeira vez: "Fazes-me Falta" de Inês Pedrosa. "É o racional versus o emocional!", disse-me ela. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um ano!


O Acordo Fotográfico começou há um ano e graças a ele 2012 foi um ano mágico. Este pequeno projeto, que só meu deu alegrias, transformou a minha vida. Através dele pude conhecer gente maravilhosa, que de outra forma me teria escapado. Descobri livros e autores, partilhei histórias e experiências, fiz amigos. Sou, um ano volvido, uma pessoa muito mais rica e espero ter conseguido partilhar convosco esta minha fortuna. Obrigada R. por me teres sugerido este nome fantástico e obrigada S. por teres concebido o logo. Obrigada a todos os que fotografei e obrigada a todos os que leem o que vou escrevendo.

Aproveito esta ocasião para fazer o levantamento de alguns dados que ajudam a fazer um balanço do ano que passou:

  • 139 posts
  • 132 fotografias
  • 68 leitoras, 62 leitores e 4 autores
  • 110 autores: 14 nacionais e 96 estrangeiros
  • O autor mais lido foi George R. R. Martin, imediatamente seguido por Haruki Murakami e Stieg Larsson 
  • Os autores portugueses mais lidos foram José Saramago e José Rodrigues dos Santos
  • Fotografei leitores de 16 nacionalidades (Portugal, Espanha, Polónia, Rússia, Alemanha, Eslovénia, Reino Unido, Indonésia, Bélgica, Brasil, Estados Unidos da América, França, Guiné Bissau, Roménia, Canadá e Itália) a ler em 9 idiomas (Português, Espanhol, Italiano, Grego, Inglês, Polaco, Russo, Alemão e Francês)
  • A esmagadora maioria dos visitantes vem de Portugal. Depois dos EUA, Brasil, Alemanha, Reino Unido, Rússia, Bélgica, Holanda, Espanha e França. No entanto, também chega gente de Itália, Israel, Indonésia, Letónia, Moçambique, Angola, Cabo Verde e até do Burundi
  • Quase 57 mil visualizações de páginas e 63 seguidores no blogspot
  • 569 likes no Facebook

Que venha o próximo leitor! :)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Maria Dentro do Segredo


À apresentação do novo livro de José Luís Peixoto seguiu-se uma sessão de autógrafos. A fila de admiradores que se formou era longa e o autor dedicou a cada um deles toda a atenção possível. Foram mais de duas horas de apertos de mão, beijinhos, abraços, conversas breves sobre livros, escrita e música, e muitos sorrisos para as fotografias. Houve quem se tivesse sentado no chão e tricotasse enquanto aguardava a sua vez. E houve quem optasse por começar a ler de imediato o exemplar de "Dentro do Segredo" que tinha acabado de comprar. A Maria, que se declarou adepta de tudo o que autor escreve, estranhou, de início, que este novo livro não fosse um romance, mas concluiu rapidamente que apesar do estilo literário diferente, era o mesmo José Luís Peixoto de sempre quem escrevia. 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Ler, apesar de tudo


"Um projeto feito de pessoas, livros e fotografias, numa homenagem ao ato de ler." É desta forma que costumo apresentar o Acordo Fotográfico. E embora nesta frase as pessoas surjam antes dos livros e das fotografias, a verdade é que nunca pensei que a dimensão humana deste blogue tomasse as proporções que tomou. Acreditar que os protagonistas seriam os livros e as imagens foi, no mínimo, ingénuo... As pessoas que leem e as pessoas que dão a cara nas fotografias impuseram-se, como é óbvio, e a relação que estabeleci com elas a propósito dos livros foi muito para além deles. Nalguns casos, as suas histórias de vida cairam-me nas mãos como se do enredo de um romance se tratasse. Esses foram os posts mais difíceis de escrever, aqueles que adiei por saber que tinha de respeitar um período de maturação. É o caso do post de hoje.

Sentado nos degraus da porta lateral da Igreja do Carmo, no Porto, o Daniel lia. Ao seu lado, um pouco mais adiante, encostados à parede da igreja e espalhados pelo chão, estavam uma dezena de cartazes. Neles o Daniel explicava a sua situação, fazia uma série de reivindicações ao IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) e pedia ajuda. Contou-me que em 2004 foi alvo de um roubo por parte de um sócio com quem tinha uma empresa. Na altura, perdeu tudo e viu-se na rua, onde foi forçado a viver 4 anos. Ao fim desse tempo conseguiu emigrar para França, onde trabalhou. De regresso a Portugal criou a MASA (Movimento de Apoio aos Sem Abrigo) e apresentou ao IEFP um projeto para a criação de uma nova empresa. Tendo contado, inicialmente, com o apoio daquele instituto, o Daniel acabou por ver-se enleado num imbróglio burocrático que o levou, de novo, à estaca zero. O apoio foi retirado e voltou a viver na rua. Para protestar contra a situação de que se diz vítima, já foi a pé até à Assembleia da República. Afirma que o próximo passo será acorrentar-se a um dos balcões do IEFP e começar, em janeiro próximo, uma greve de fome. 

E, apesar de tudo isto, o Daniel lia. O livro fora-lhe emprestado e tinha como título "Acordar com a Boca Cheia de Terra". 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O Autor & O Livro - IV



Na passada segunda-feira o auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, abriu as portas para acolher José Luís Peixoto, que apresentou o seu mais recente trabalho: "Dentro do Segredo". Para aqueles que têm vindo a acompanhar a sua obra, este novo livro revelou-se uma surpresa já que não se trata de um romance, mas sim do relato da viagem de três semanas que o autor fez à Coreia do Norte em abril deste ano. O próprio José Luís Peixoto admitiu, no decorrer da apresentação, que este é um livro que "abre uma nova ala" naquilo que escreveu até ao momento e que sente que esta vertente tem margem de progressão, uma vez que as viagens são, nos últimos anos, uma parte muito importante da sua vida. 

E porquê a Coreia do Norte? Simplesmente porque um dia, no meio da rotina habitual imposta pelo trabalho e tantos outros compromissos, lhe passou pela cabeça a possibilidade de lá ir. E foi assim, imediatamente, que se deixou seduzir por essa "ideia mirabolante, pelo tamanho dessa empresa" e pela vontade de criar um texto capaz de transmitir aos leitores o que é estar naquele país, de escrever um livro que os levasse também até à Coreia do Norte e concretizar, dessa forma, o objetivo principal da literatura de viagem. 

Ontem, com o seu estilo simples e caloroso, sempre sorridente, José Luís Peixoto levou todo o auditório até àquele país longínquo e reviveu, durante cerca de hora e meia, alguns dos episódios mais marcantes dessa viagem ainda tão recente, ainda tão viva na sua memória: o requinte absoluto do culto aos grandes líderes e a forma como essa veneração condiciona todos os aspetos da vida pública e privada dos norte-coreanos; a dúvida constante sobre toda a informação fornecida pelas autoridades (ainda a semana passada a agência noticiosa norte-coreana anunciou que tem provas da existência de unicórnios no país...); a visita a uma aldeia onde não eram vistos estrangeiros desde 1953 e o pânico que a visita causou por entre os seus habitantes; a fauna e a flora intactas; a total ausência de poluição; as evidentes carências alimentares da população; a quase inexistência de comércio (em Pyongyang, por exemplo, há apenas duas lojas); os veículos militares movidos a lenha e a carvão ou as refeições em que se serviram cão frito e sopa de cão.

Um livro que vai direto para a minha lista de leituras a fazer muito em breve!

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ana Lúcia & O Último Segredo


No Alfa Pendular, a caminho do Algarve, viajava também a Ana Lúcia que gosta muito de ler sobre os mistérios da Bíblia. Daí já ter lido todos os livros de Dan Brown e ter enveredado, depois, pelo livro "O Último Segredo", de José Rodrigues dos Santos, que sabia ser do mesmo género. Para além de ser um grande volume, como são os livros da sua preferência, a Ana Lúcia salientou que, com este romance, se adquire muita cultura. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pedro na mão do diabo


O outono tem esta coisa boa: quando pensamos que o caminho em direção ao inverno é irreversível, surge um dia quase primaveril que convida ao regresso à esplanada e à cerveja fresquinha. Foi nestes preparos que encontrei o Pedro, que aproveitava a hora de almoço para ler mais umas páginas de "A Mão do Diabo", o mais recente livro de José Rodrigues dos Santos. O Pedro tem com este autor uma relação de longa data. Contou-me que o primeiro romance que alguma vez leu era, precisamente, de José Rodrigues dos Santos e que a recomendação lhe foi feita por uma freira do Liceu Luso-Francês onde estudava. Desde então, leu tudo o que o autor publicou e diz que cada novo romance lhe aguça a curiosidade. Sobre o livro que tinha em mãos adiantou que estava a gostar. No entanto, o personagem Tomás Noronha pareceu-lhe algo gasto e demasiado forçado o facto de, neste livro, se encontrar desempregado.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A vantagem maravilhosa dos transportes públicos


Aos poucos, o 507 vai-se revelado um autocarro literário. Depois do Bruno, da Isabel e da Maria, apanhei a Susana em flagrante leitura. Sobre o livro que tinha consigo — "Terra Sonâmbula", de Mia Couto — não podia adiantar muito porque ia apenas na página 5, mas sublinhou que era o primeiro romance que lia deste autor. No que diz respeito aos hábitos de leitura, a Susana diz que tem fases e que agora está numa daquelas em que lê muitíssimo, movida, talvez, por aquela angústia de saber que "a vida não chega para ler todos os livros". Como eu a compreendo! E nessa ânsia literária, confessa que os transportes públicos têm uma vantagem maravilhosa: permitem ter ainda mais tempo para ler.