O Serge é canadiano e vive perto de Vancouver. Encontrei-o no Porto durante o seu mês de férias em Portugal. Sentado na belíssima alameda de plátanos do Jardim da Cordoaria, lia "There Were Two Trees in the Garden", um título que alude à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e à Árvore da Vida, numa representação do conflito entre o reino deste mundo e o reino de Deus. O livro interpreta episódios da Bíblia, um assunto sobre o qual o Serge tem particular interesse.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
1Q84 no 501
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
O Bruno na idade das miúdas
Esta foi a fotografia mais difícil que alguma vez tirei desde que comecei o Acordo Fotográfico. Andava a evitar fotografar dentro do autocarro que me leva ao trabalho todas as manhãs, mas foi impossível ignorar o jovem rapaz que vinha a ler sentado quase ao meu lado. Os solavancos, as pessoas que passavam à minha frente, a falta de luz dentro do autocarro e a falta de luz lá fora (porque chovia copiosamente) tornaram dificílima a tarefa de focar a imagem em modo manual. Puxei pela lente até ao limite, contei com a paciência do Bruno que aguentou vários disparos e o resultado é o que se vê. Naquela manhã, este jovem leitor, de mochila pousada sobre os joelhos, lia "Método de Engate", um livro que lhe foi oferecido pelo cunhado. E porquê esta oferta? Simplesmente porque o Bruno "está na idade das miúdas".
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
O resgate de Nora Roberts
Se há coisa que não consigo fazer é deitar livros fora. Prefiro dá-los, oferecê-los, mas pô-los no lixo é-me inconcebível. E a ideia de que possam ser "abatidos" ou "guilhotinados" (como se diz na gíria editorial e como se faz, de facto, aos monos que são tão monos que até esquecidos num armazém dão prejuízo) dói-me fundo na alma. Trago em mim esta convicção de que um livro, por muito mau que seja e até independentemente da sua mensagem, é um objeto quase sagrado. Talvez o meu objeto preferido, no extremo oposto a qualquer tipo de arma e aos guarda-chuvas, que detesto... E é por isso que arrasto comigo, a cada mudança de casa, dezenas de volumes que muito provavelmente nunca hei de ler — comprei-os, mas não me agradaram; ofereceram-mos e ficaram na prateleira; salvei-os de algum lugar onde estavam ao abandono —, mas que insisto em guardar com carinho.
A Ana é uma leitora assídua e passa as horas de almoço na companhia de livros. Encontrei-a no jardim da Cordoaria a ler "Lua de Sangue", um romance de Nora Roberts. Na semana anterior, tinha lido "Porto de Abrigo", um outro livro da mesma autora e contou-me que em casa tinha um terceiro livro de Nora à sua espera. Estes romances tinham sido oferecidos à instituição para crianças onde a mãe da Ana trabalha e, por não se adequarem aos mais novos, tinham o lixo como destino. Convencida de que a filha os apreciaria, resgatou-os a tempo e foi assim que a Ana pôde descobrir uma autora de quem nunca ouvira falar e que a surpreendeu muitíssimo. Uma história com final feliz que se encaixa perfeitamente no espírito do Acordo Fotográfico!
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
João & Saul Bellow
Num destes fins de semana, andava a passear no jardim do Passeio Alegre, na Foz, quando o João passou por mim num passo estugado e eu, que reconheço capas da Quetzal a milhas, percebi que levava na mão um livro do Saul Bellow. Lamentei não me ter cruzado com ele noutra ocasião, num momento em que estivesse a ler, mas resignei-me enquanto o via distanciar-se. Continuei o meu passeio em direção ao mar e foi uns metros mais à frente, na esplanada do mítico Bonaparte, que voltei a encontrá-lo, já sentado e a ler na companhia de uma Guinness. Foi perfeito!
O João, que é produtor musical e cofundador da Wasser Bassin Records, é também um comprador impulsivo de livros. Lê muito e compra de tudo: ensaios, romances, livros de viagens, entre outros. Porque me senti identificada com esta forma de ser leitor, mostrei-lhe o que eu própria andava a ler por aqueles dias — "Se Isto é um Homem", de Primo Levi — e foi ele que fez notar que ambos estávamos a ler autores judeus.
O seu primeiro contacto com a obra se Saul Bellow aconteceu através do conto "Him With is Foot in His Mouth". Por ter gostado do que leu, procurou mais informação sobre a obra do autor e foi então que o livro "Morrem Mais de Mágoa" lhe chamou a atenção. Interessado pelo tema do romance, que aborda sobretudo a natureza das relações humanas, acabou por comprá-lo. E era por esse livro que o João se apressava quando passou por mim naquela tarde. Como me disse no início da nossa conversa, procurava um lugar onde pudesse lê-lo tranquilamente.
domingo, 14 de outubro de 2012
Vicente prefere os portugueses
O Vicente lê muito e dá prioridade aos autores portugueses. Os livros, é ele quem os os compra e escolhe-os sobretudo pelos títulos, mas também há os que a sobrinha lhe oferece e os que vai trocando com ela. Já leu grande parte das obras de Camilo Castelo Branco e gosta muito de tudo o que Júlio Magalhães escreveu. Por outro lado, não aprecia nada José Saramago nem José Rodrigues dos Santos. Quando o encontrei no Parque da Cidade, estava a ler o último trabalho de Maria Elisa, "Amar e Cuidar", um livro onde a jornalista relata a sua viagem pelo mundo do cancro.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
António & Konsalik
Encontrei-o sentado na margem do Douro, de frente para o lugar onde o rio e o mar se encontram. O António, que se definiu como "um leitor nas horas vagas", diz que lê porque não consegue estar sem fazer nada. Naquela tarde ociosa de domingo ocupou-se com a leitura de "Mistério da Pedra Verde", um romance de Konsalik, autor cujas histórias o fascinam.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Último sapore di sale, sapore di mare
Hoje, no Porto, esteve um daqueles dias abafados e húmidos em que a morrinha e o nevoeiro não nos largam, colando-se à pele, ao cabelo, à roupa... Enfim, um dia de outono, como é suposto, mas que a mim não me apetece nada. Por isso me sabe tão bem publicar esta fotografia tirada há pouco mais de uma semana e que muito provavelmente encerrará o ciclo de imagens de "banhistas-leitores" registadas este ano. Nesse dia sem nuvens no horizonte e sol ainda quente conheci o Vincenzo, que desfrutava da leitura de "O Anjo Perdido" numa praia da Foz. A escolha do romance aconteceu por acaso: primeiro cruzou-se com umas referências na net que lhe despertaram a atenção; mais tarde viu-o exposto numa livraria e acabou por comprá-lo. Quando questionado sobre os seus hábitos de leitura, o Vincenzo confirmou-me que é um consumidor assíduo de livros (dois a três por mês), mas lamentou o facto de serem caros.
domingo, 7 de outubro de 2012
Na praia com Sherlock Holmes
Naquele domingo de manhã o Jorge dirigiu-se, como é hábito, ao local onde compra o Jornal de Notícias na expectativa de poder ler a Notícias Magazine na praia. Infelizmente, um qualquer lapso fez com que todos os exemplares do jornal tivessem sido distribuídos sem a revista e isso levou-o a procurar uma leitura alternativa. Foi então que se lembrou de uma coleção de livros com histórias do Sherlock Holmes, também distribuídos com o Jornal de Notícias há dois ou três anos, e que ainda tinha lá por casa. "Pequeno, prático, leve, com uma história que prende a atenção, ótimo para trazer para a praia", foram as palavras escolhidas pelo Jorge para justificar a sua escolha quando lhe perguntei o que lia e lhe pedi uma foto para o Acordo Fotográfico.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Iona e os oceanos
Num mercado completamente tomado por grandes ideias de negócio, altamente competitivo e onde todos se batem ferozmente pela conquista de novos consumidores, como fazer para implementar um novo negócio, conquistar clientes e ter sucesso? Escrito por dois gurus do mundo dos negócios, "Blue Ocean Strategy" é o livro que pretende responder a estas questões ao mesmo tempo que revoluciona as estratégias a adotar na criação de novos mercados. Era este o livro que a Iona — uma jovem romena de Bucareste, que veio estudar para a Faculdade de Economia do Porto — estava a ler numa belíssima tarde de outono (quem diria?!) em Matosinhos.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
André descobre Saramago
O André é um jovem leitor que até há bem pouco tempo lia sobretudo em inglês. À biblioteca dos pais foi buscar, por exemplo, Steinbeck, Salman Rushdie ou Hermann Hesse, o seu autor preferido. Ainda assim, recorda que um dos primeiros livros que leu era de Fernando Pessoa. As suas duas irmãs mais velhas eram leitoras do poeta e o André quis também saber do que se tratava. Admite, no entanto, que essa leitura aconteceu demasiado cedo e que teve de regressar ao livro, mais tarde, para entendê-lo melhor. Miguel Torga ou Vergílio Ferreira foram outros autores portugueses que mereceram a sua atenção enquanto ia alimentando uma grande vontade de ler José Saramago. Comentou-o com a namorada e foi ela quem lhe ofereceu o "Ensaio Sobre a Cegueira", o livro que estava quase a acabar quando o fotografei no jardim da Cordoaria. Este primeiro Saramago conquistou-o de tal forma que ponderava ler logo de seguida um outro romance do autor. O livro foi-lhe oferecido por uma das irmãs que ao preparar-se para uma grande viagem se desfez de grande parte dos seus bens e entregou "Todos os Nomes" ao André em jeito de herança.
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